domingo, 5 de dezembro de 2010

Para aquele que não vai ler isso.


Você era o meu melhor amigo. Ponto. Eu nunca te disse, mas acho que dava para imaginar. Eu não posso te dizer que lembro como que a gente se conheceu, porque eu não lembro. Mas eu também não me lembro da minha vida antes de você. Só lembro do ponto em que você já estava na minha vida.

Nossa amizade não era aquela lotada de sentimentalismo. Eu, raramente, dizia que você significava muito pra mim. E você, disse uma vez ou duas. Quem ler isso vai achar estranho e vai pensar: "Bela amizade, hein?". Mas querem saber? Bela amizade mesmo, tudo sempre foi muito além das palavras.

Aqueles corredores do nosso antigo colégio tem algumas histórias para contar. Eu amava ficar durante o intervalo lá em cima com você. Era proibido, sempre falavam que não podia, mas a gente ficava. Nós começávamos a rir por coisas sem nexo. E ficávamos brincando de lutinha. Até que um dia você segurou minha perna no ar e eu cai. Isso rende algumas risadas minhas até hoje. 

Quando minha mãe não podia me buscar, ela pedia que eu fosse a pé pra casa da minha avó. E eu não achava ruim, porque você ia para o mesmo rumo que eu. Você insistia em dizer que eu era desengonçada e tinha perna de alicate. E eu te empurrava da calçada e você conseguia se manter em pé quando caia na rua. 

Uma vez você disse pra minha irmã que arrastava a asa para mim. E eu achei engraçado. Jurei que éramos só amigos. A-mi-gos. E jurei que se algum dia ficasse com você, eu estaria louca.

Bom, teve um dia que eu fiquei louca. Na verdade, dois dias. Aquela vez que eu fiquei  meio bêbada, deitei no seu colo naquela festa e quando eu queria levantar, você não deixava. Até que eu tampei meu rosto com uma almofada e você me beijou. A galera - nossos amigos em comum - começou a bater palma. Eu não entendi muito bem, mas nós éramos grande amigos, nada mais. Teve aquela outra vez que você  e mais uns amigos vieram aqui em casa e eu tive que atender o telefone. Eu fui para um lugar mais silencioso e estava conversando no telefone, chupando um chiclete... Você simplesmente chegou e me abraçou por trás, enquanto eu ainda conversava no telefone. E eu jurei que senti seu coração muito forte contra as minhas costas e você ficou quietinho até eu desligar. E quando eu desliguei, você me deu um beijo. E eu corri de volta para onde os outros estavam e continuamos como se não tivesse acontecido nada.

Eu não quero dizer que em algum momento eu me apaixonei por você. Porque eu não me apaixonei. As pessoas sempre duvidavam disso e diziam que nós sentíamos alguma coisa um pelo outro. Eu não sei de você, mas eu sei de mim. Não que eu não tenha gostado de ter ficado com você. Óbvio que eu gostei. Mas nunca passou de uma amizade pura e muito - MUITO - intensa. E talvez você nem imagine que era tudo tão forte assim pra mim. 

Nossas brigas sempre eram as mais revoltantes. Eu jurava que queria te matar e que nunca mais queria falar com você. Porque você era um grosso e parecia não se importar. E aí você ria se eu chorava no telefone. Você ria, mas eu sei que no fundo, você gostava de saber que eu me importava tanto com a nossa amizade e eu acho que você entendia o meu desespero misturado com tanta raiva.

Até que chegou o dia que você teria que ir embora. Era meio complicado imaginar meus dias seguintes sem você. Eu não te via diariamente, mas eu sabia que você estava logo ali e que se eu quisesse, poderia ir te ver. Mas você estava indo embora. Na sua festa de despedida, ficamos nos lembrando de muitas coisas e eu me vi amando sua amizade como nunca tinha amado nenhuma outra. Naquele momento eu até pensei em te falar que você era o meu melhor amigo, mas eu não falei. Antes de ir embora da sua festa, demos um abraço de vinte minutos. Vinte minutos que disseram tudo que as palavras não teriam dito. 

O problema é que desde que você se foi, quem sempre estava te procurando era eu. Eu que te mandava mensagem. Eu que te ligava. E adivinha? Em todas as vezes que você veio aqui para a cidade, você nem mesmo fez questão de me ver. Sempre falava: "Quando eu for praí, nós vamos sair pra beber". Mas nós nunca saimos. E agora já fazem quase cinco meses que você foi embora e até hoje a gente não se viu. Será que é tão difícil pra você fazer um pouco de esforço para correr atrás e vir me dar um abraço? Você não sabe, mas sentir sua falta é uma das piores sensações que existem. Mas depois do dia que você veio, combinou de me encontrar e me ignorou quando eu te liguei... Depois desse dia, eu jurei que não mais te ligaria. Eu sinto sua falta, mas parece que você não sente a minha e isso só está fazendo minha saudade diminuir lentamente. Não quero dizer que você não é mais importante pra mim, você vai ser importante eternamente. Mas sua recente indiferença está me fazendo aceitar que talvez, eu não deva sentir tanto sua falta. Mas olha... Não esquece nunca: Você era o meu melhor amigo. Ponto.

2 comentários:

Babii disse...

Nossaa ! Qe liindoo isso..
n sou de comentaar em textos.. normalment so guardo em minha mente as palavras.. mas isso realmnt foi mtoo beem escrito.. n sei se eh pq ja passei por algo parecido.. mas adorei!
Parabéns

Flávia M. disse...

Mt perfeito :''/ lindo d+... Tem tumblr flor?