sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O dia que o Universo explodir.

O absurdo que é consumir tanto oxigênio e devolver apenas impurezas para o ar. Eu queria te contar que noite passada a Lua não apareceu na minha janela, observei cuidadosamente todos os cantos do céu e ela estava se escondendo em algum lugar. Queria te perguntar se aí ela apareceu para poder respirar aliviada. O dia que o céu se reduzir a uma partícula de poeira, vai ser tão rápido que não poderemos compreender e nem dizer nada. Nem ao menos sei se estaremos por aqui para ver o Sol explodindo e reduzindo tudo a pó. Você queria estar só para sorrir um último sorriso iluminado e eu queria estar só para te olhar pela última vez. A imagem mais bela da minha vida seria nos meus últimos segundos de existência. Sem tempo para te dizer algo sobre a paz que você sempre me deu ou sobre o quanto eu sempre achei absurdo consumir tanto oxigênio e devolver tantas impurezas para o ar. É isso que nós deixamos para trás, amor? Impurezas? Onde estão aquelas promessas de lembranças que nunca se apagam? Lembranças de sons e de imagens que se eternizam no canto da nossa mente. Quando tudo acabar o que vai restar? Seremos apenas pó sim, mas e nossas almas? Você acredita nessa possibilidade de ficar andando de um lado para o outro de uma outra existência pelo resto da eternidade? Acredita que mesmo quando o fim chegar, ainda vou me lembrar do seu sorriso? Porque eu não quero esquecer. Mesmo que deixemos de existir, a falta do seu sorriso vai atormentar cada átomo de mim que restar espalhado pelo universo. Não quero esperar o fim do mundo, não quero esperar a escuridão eterna depois da explosão do Sol e nem esperar o medo do dia-depois-de-hoje para poder eternizar seu sorriso. Mas me conta, você viu a Lua? Bilhões de estrelas nos rodeiam e são sempre as mesmas, mesmo que elas não existam há anos, o brilho delas permanece. Estamos lado a lado se compararmos com a imensidão de tudo que nos torna tão insignificantes. Pouco me importa nossa insignificância, o que eu queria falar mesmo é que eu gosto de olhar para Lua, ela me leva até você. Eu não tenho medo do fim porque até no fim seremos nós. Mesmo que tudo se perca, ainda seremos nós. Nós e nossos medos, nós e nossas certezas.

É loucura demais nos comparar ao Universo? É loucura demais nos comparar às estrelas?

Porque eu sei que somos infinitos também. Porque nosso brilho vai ficar mesmo depois do fim.

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