segunda-feira, 25 de junho de 2012
Tudo tem você.
Meu cubo mágico, os gatinhos do meu pai, minhas meias, meu cachorro. A música do Arnaldo Antunes, a música dos Los Hermanos e até aquele sertanejo meia boca. Meu filme preferido, Titanic e até mesmo o do Scott Pilgrim. Minha cama, minha lingerie, minhas roupas. Minha pantufa, meu violão, meus cd's. Meu livro do Mochileiro das Galáxias, o do Caio Fernando Abreu, o do Morro dos Ventos Uivantes e mais ainda o do Pequeno Príncipe. Meus óculos escuros, meu celular, minha webcam. Meu microfone, meu caderno, meu pijama. Meu colégio e as tantas mesas de lá que eu rabisquei seu nome, mas apaguei logo em seguida. Meu blog, meus rabiscos e a minha parede que eu escrevi "18". Meu perfume, minhas fotos, minha preguiça. Meus sonhos, minha insônia e a escuridão do meu quarto. Meu medo, meu frio, meu sono. Meu cabelo, minha mão, meu abraço. O telhado da garagem do meu pai que eu escrevi seu nome. Meu cansaço.
Tudo, absolutamente tudo.
E com tanto "você" por aí, eu só queria me achar no meio dessa bagunça toda.
Tudo, absolutamente tudo.
E com tanto "você" por aí, eu só queria me achar no meio dessa bagunça toda.
Arde.
Eu escrevo algumas palavras e apago no instante seguinte. Da mesma forma que eu rasguei todo aquele caderno que seria seu presente. Não há palavra que caiba no que eu quero dizer. Mas o que, afinal, eu quero dizer? Eu não quero dizer nada porque pra você já não devo dizer coisa alguma. E não consigo formular frases com algum nexo. Engulo o choro com cada música que começa a tocar e meus olhos estão ardendo pelo sol, pelas lágrimas, pelo sal, pela injustiça, por você e por todo resto. Não adianta eu querer bancar a culta que sabe fazer bom uso das palavras em momentos de tristeza, eu só estou tentando vomitar tudo que está engasgado para que eu consiga encostar a cabeça no travesseiro sem sentir esse peso terrível por cima de mim, sem sentir essa dor de cabeça, sem sentir essa ardência no olho.
(...)
Mas a verdade é que eu não sei o que dizer e não consigo escrever nada com essa vista embaçada.
(...)
Mas a verdade é que eu não sei o que dizer e não consigo escrever nada com essa vista embaçada.
domingo, 1 de abril de 2012
Poeira.
Eu poderia encher esse texto com defeitos meus. Mas você insiste em dizer que eu sou perfeita. Não sei como você tem a ousadia de me dizer isso mesmo depois que eu te magoei por falar alguma bobagem. Posso parecer apaixonante nos primeiros dois dias, mas já se foram quase duzentos e dez dias e você ainda me vê como antes. Como pode? A máscara já caiu, eu já deixei minhas fraquezas expostas, já deixei meus defeitos escancarados e você ainda está aqui. Eu jurava que não estaria, eu jurava que se eu te soltasse um pouco, você correria. Mas você não correu nunca. Eu bato o telefone, bato a porta, choro, fico em silêncio e você não me solta. Eu te encho com meus medos e minhas inseguranças, mas você me aperta tão forte que eu decido nunca mais ter medo de nada.
Minha mão treme de maneira incompreensível com essas tentativas de te escrever, eu sei que se você visse meus olhos você entenderia bem. Eu sei que se você pudesse observar cada curva do sorriso que só você cria no meu rosto, eu sei que assim seria mais fácil. Seria mais fácil acordar podendo te ver ao meu lado. Seria mais fácil atravessar a rua segurando a sua mão. E seria mais fácil me deixar cair lá de cima se você pudesse cair junto comigo. Enquanto isso, o sofá parece grande demais, a cama parece grande demais, o apartamento parece deserto e as centenas de pessoas que me rodeiam não parecem nada. Eu trocaria cada uma delas por você. Só para poder me desculpar por ser assim com um beijo na curva do seu pescoço.
Continua me dando beijo antes de dormir que eu continuo cantando quando você pedir. Continua rindo baixinho pra que eu continue sempre te pedindo pra rir mais alto sabendo que algum dia você vai ceder. Continua falando aquelas palavras que saindo da sua boca soam lindas que eu continuo lendo sempre que você pedir. Continua que eu continuo. Nós já havíamos começado, mas agora começamos pra valer. Não me deixa estragar nada, não acredita que meus medos possam ser maiores que nós. Porque eles não são. Eles são apenas aquelas partículas de poeira que aparecem quando a luz do Sol é forte demais. Nós somos fortes demais. Você me deu coragem pra lutar e eu quero poder ser assim pra você também. Nada se compara e vai ser assim até o fim.
Minha mão treme de maneira incompreensível com essas tentativas de te escrever, eu sei que se você visse meus olhos você entenderia bem. Eu sei que se você pudesse observar cada curva do sorriso que só você cria no meu rosto, eu sei que assim seria mais fácil. Seria mais fácil acordar podendo te ver ao meu lado. Seria mais fácil atravessar a rua segurando a sua mão. E seria mais fácil me deixar cair lá de cima se você pudesse cair junto comigo. Enquanto isso, o sofá parece grande demais, a cama parece grande demais, o apartamento parece deserto e as centenas de pessoas que me rodeiam não parecem nada. Eu trocaria cada uma delas por você. Só para poder me desculpar por ser assim com um beijo na curva do seu pescoço.
Continua me dando beijo antes de dormir que eu continuo cantando quando você pedir. Continua rindo baixinho pra que eu continue sempre te pedindo pra rir mais alto sabendo que algum dia você vai ceder. Continua falando aquelas palavras que saindo da sua boca soam lindas que eu continuo lendo sempre que você pedir. Continua que eu continuo. Nós já havíamos começado, mas agora começamos pra valer. Não me deixa estragar nada, não acredita que meus medos possam ser maiores que nós. Porque eles não são. Eles são apenas aquelas partículas de poeira que aparecem quando a luz do Sol é forte demais. Nós somos fortes demais. Você me deu coragem pra lutar e eu quero poder ser assim pra você também. Nada se compara e vai ser assim até o fim.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Clichê urbano.
Chutei o latão de lixo com certa verocidade e um gato que estava parado nos arredores, soltou um grunhido estridente e saiu correndo. Meus olhos ardiam e eu não conseguia focar em nada, tudo parecia estar se movendo em velocidade rápida demais, menos o mendigo que estava deitado quase ao lado de onde o gato saíra. Queria pedir desculpas por ter espantado o bichano do coitado, mas desisti porque nada saia da minha boca. Se eu movesse meus dentes para soltar qualquer palavra, eu sentiria aquele gosto amargo na língua de novo e as náuseas — que estavam cessando — voltariam com toda a força.
"Mas que merda, Rodrigo...", aquilo estava ecoando na minha cabeça e eu ainda andava a passos lentos demais. Uma puta parada na esquina tentou me puxar pela jaqueta e eu me desvencilhei com certa dificuldade, mas quase me rendi e falei: como pagamento eu te dou um revólver e você me mata, pode ser? Desisti quando os olhos dela se fixaram nos meus enquanto ela ficava me chamando de "garotão", senti nojo e as náuseas voltaram. Quando já havia me distanciado dela, apoiei meu braço num muro e abaixei a cabeça tentando eliminar o que me incomodava. Álcool, cigarro e todas as merdas que me ofereceram estavam se embrulhando dentro de mim e eu só queria voltar há algumas horas antes e mudar o roteiro daquela noite incrível. Incrível. Não consegui vomitar, não consegui voltar no tempo e fiquei parado naquele muro por sei lá quanto tempo. Vendo o chão se mover sem eu sair do lugar.
Enfiei a mão no bolso da jaqueta, peguei meu celular com o visor arranhado e digitei os números que saíam como se estivessem grudados nas pontas dos meus dedos. O braço direito apoiado no muro ainda enquanto eu segurava o celular com a mão esquerda e fechava os olhos para não cair. Chamou quinhentas vezes e ela não me atendeu. Juro que eu contei. Mas não me importei e liguei de novo. Só que para minha surpresa, ela atendeu meio sonolenta e com aquela voz angelical que qualquer um que não a conhecesse bem, se apaixonaria:
— Que foi, Rodrigo? Eu estava dormindo. — E lá estava o anjo queimado pela amargura.
— Quero te perguntar uma coisa. — Meu estômago rodava dentro de mim e eu fui abaixando abaixando abaixando até estar sentado no chão com a cabeça contra o muro. Abri os olhos e observei o muro da frente que estava escrito: "Mais amor, por favor". Quis gargalhar com aquela ironia.
— Pergunta. — Provavelmente ela havia se ajeitado na cama e estava olhando para o teto, como sempre fazia quando estava irritada.
— Você concorda com a frase "Mais amor, por favor"? — Perguntei rindo e ela continuou calada. — Desculpa, não era isso. Só está escrito no muro aqui da frente. — Fechei os olhos e suspirei.
— Pergunta logo. — Ela estava louca para saber onde eu estava e com quem, era óbvio.
— Se eu morresse hoje, Júlia, o que você sentiria amanhã? — Eu estava maluco, não era nada daquilo que eu queria perguntar, mas saiu feito música pela minha boca. Ela não respondeu e já que eu havia perguntado, me mantive firme. — Responde.
— Desculpa, tava acendendo um cigarro. — Ela soprou. — Eu choraria, Rodrigo.
— Você apareceria no meu velório? Digo, lembrando que eu sou um cretino. — O discurso estava pronto na minha cabeça, mas eu não sabia o que estava dizendo. Engoli em seco.
— Apareceria, claro. — Aquele tom de desdém me arranhava como arame farpado passando pelo meu peito e descendo pela barriga.
— E se eu pular na frente de um carro agora falando com você? — Abri os olhos e observei a rua deserta.
— Você não faria isso. — Ela riu e soprou de novo.
— Não? — Vi dois faróis vindos lá longe. — Tem um carro vindo ali... E se você repetir aquele "Que merda, Rodrigo", eu juro por Deus que pulo pro meio da rua.
— Você nem acredita em Deus. — Maldita.
— Foda-se, Júlia. Foda-se! — Eu me levantei devagar e observei os faróis há uns três quarteirões de distância. — Você me deixou infeliz demais. Como pode? Ninguém nunca me fez tão bem nem tão mal quanto você. E agora, Júlia? — Eu senti umas lágrimas ardidas caindo pela minha bochecha e dei um passo pra frente.
— Você começou tudo isso, babaca. — Ela falou como se tivesse certeza absoluta que eu não pularia. Mas e se eu pulasse? Analisei a rua e o carro e a rua e o carro e o celular. Ela ainda me amava, eu não podia causar aquela dor a ela.
— Você ainda me ama? — Perguntei para averiguar minha teoria.
— Não. — Mentira.
— Mesmo?
— Mesmo. — Mentira.
— Fala com todas as letras que não me ama, corre, o carro está chegando. — Ouvi a respiração ofegante dela.
— Merda! — Ela berrou. — Eu ainda te amo. — Soltei uma risada nervosa.
— Obrigada. — Suspirei e o carro passou por mim com quatro bêbados dentro gritando "viadinho".
— Onde você tá? — Primeira pergunta que ela estava se mordendo para fazer desde o começo.
— Na Augusta. — Fechei os olhos, olhei pro céu e olhei pro chão que estava se movendo mais devagar.
— Volta pra casa. — Ela suplicou baixinho.
— Já vou.
(Eu a fazia feliz só de pirraça e quando via, ela me fazia feliz sem esforço algum. Ela pegava meu pulso no meio da noite e sempre me assustava com esse jeito violento de me dar carinho. Eu me aproximava para beijar sua nuca e ela sempre se levantava para pegar água. Ela me pedia pra ir embora e eu sempre ia. Ia embora querendo morrer, querendo me matar, querendo matá-la também, mas sabendo que ela me chamaria. Porque ela sempre chamava e eu sempre voltava. Éramos opostos que não se atraiam, mas estávamos dispostos a contrariar a todos. Contrariávamos as leis da realidade, contrariávamos a nós mesmos e éramos dois fugitivos que se amavam acima de tudo. Vivíamos pelo impulso, pela urgência. Vivíamos como se estivéssemos com as armas apontadas contra nossas cabeças. Contando sempre os minutos para o fim chegar).
"Mas que merda, Rodrigo...", aquilo estava ecoando na minha cabeça e eu ainda andava a passos lentos demais. Uma puta parada na esquina tentou me puxar pela jaqueta e eu me desvencilhei com certa dificuldade, mas quase me rendi e falei: como pagamento eu te dou um revólver e você me mata, pode ser? Desisti quando os olhos dela se fixaram nos meus enquanto ela ficava me chamando de "garotão", senti nojo e as náuseas voltaram. Quando já havia me distanciado dela, apoiei meu braço num muro e abaixei a cabeça tentando eliminar o que me incomodava. Álcool, cigarro e todas as merdas que me ofereceram estavam se embrulhando dentro de mim e eu só queria voltar há algumas horas antes e mudar o roteiro daquela noite incrível. Incrível. Não consegui vomitar, não consegui voltar no tempo e fiquei parado naquele muro por sei lá quanto tempo. Vendo o chão se mover sem eu sair do lugar.
Enfiei a mão no bolso da jaqueta, peguei meu celular com o visor arranhado e digitei os números que saíam como se estivessem grudados nas pontas dos meus dedos. O braço direito apoiado no muro ainda enquanto eu segurava o celular com a mão esquerda e fechava os olhos para não cair. Chamou quinhentas vezes e ela não me atendeu. Juro que eu contei. Mas não me importei e liguei de novo. Só que para minha surpresa, ela atendeu meio sonolenta e com aquela voz angelical que qualquer um que não a conhecesse bem, se apaixonaria:
— Que foi, Rodrigo? Eu estava dormindo. — E lá estava o anjo queimado pela amargura.
— Quero te perguntar uma coisa. — Meu estômago rodava dentro de mim e eu fui abaixando abaixando abaixando até estar sentado no chão com a cabeça contra o muro. Abri os olhos e observei o muro da frente que estava escrito: "Mais amor, por favor". Quis gargalhar com aquela ironia.
— Pergunta. — Provavelmente ela havia se ajeitado na cama e estava olhando para o teto, como sempre fazia quando estava irritada.
— Você concorda com a frase "Mais amor, por favor"? — Perguntei rindo e ela continuou calada. — Desculpa, não era isso. Só está escrito no muro aqui da frente. — Fechei os olhos e suspirei.
— Pergunta logo. — Ela estava louca para saber onde eu estava e com quem, era óbvio.
— Se eu morresse hoje, Júlia, o que você sentiria amanhã? — Eu estava maluco, não era nada daquilo que eu queria perguntar, mas saiu feito música pela minha boca. Ela não respondeu e já que eu havia perguntado, me mantive firme. — Responde.
— Desculpa, tava acendendo um cigarro. — Ela soprou. — Eu choraria, Rodrigo.
— Você apareceria no meu velório? Digo, lembrando que eu sou um cretino. — O discurso estava pronto na minha cabeça, mas eu não sabia o que estava dizendo. Engoli em seco.
— Apareceria, claro. — Aquele tom de desdém me arranhava como arame farpado passando pelo meu peito e descendo pela barriga.
— E se eu pular na frente de um carro agora falando com você? — Abri os olhos e observei a rua deserta.
— Você não faria isso. — Ela riu e soprou de novo.
— Não? — Vi dois faróis vindos lá longe. — Tem um carro vindo ali... E se você repetir aquele "Que merda, Rodrigo", eu juro por Deus que pulo pro meio da rua.
— Você nem acredita em Deus. — Maldita.
— Foda-se, Júlia. Foda-se! — Eu me levantei devagar e observei os faróis há uns três quarteirões de distância. — Você me deixou infeliz demais. Como pode? Ninguém nunca me fez tão bem nem tão mal quanto você. E agora, Júlia? — Eu senti umas lágrimas ardidas caindo pela minha bochecha e dei um passo pra frente.
— Você começou tudo isso, babaca. — Ela falou como se tivesse certeza absoluta que eu não pularia. Mas e se eu pulasse? Analisei a rua e o carro e a rua e o carro e o celular. Ela ainda me amava, eu não podia causar aquela dor a ela.
— Você ainda me ama? — Perguntei para averiguar minha teoria.
— Não. — Mentira.
— Mesmo?
— Mesmo. — Mentira.
— Fala com todas as letras que não me ama, corre, o carro está chegando. — Ouvi a respiração ofegante dela.
— Merda! — Ela berrou. — Eu ainda te amo. — Soltei uma risada nervosa.
— Obrigada. — Suspirei e o carro passou por mim com quatro bêbados dentro gritando "viadinho".
— Onde você tá? — Primeira pergunta que ela estava se mordendo para fazer desde o começo.
— Na Augusta. — Fechei os olhos, olhei pro céu e olhei pro chão que estava se movendo mais devagar.
— Volta pra casa. — Ela suplicou baixinho.
— Já vou.
(Eu a fazia feliz só de pirraça e quando via, ela me fazia feliz sem esforço algum. Ela pegava meu pulso no meio da noite e sempre me assustava com esse jeito violento de me dar carinho. Eu me aproximava para beijar sua nuca e ela sempre se levantava para pegar água. Ela me pedia pra ir embora e eu sempre ia. Ia embora querendo morrer, querendo me matar, querendo matá-la também, mas sabendo que ela me chamaria. Porque ela sempre chamava e eu sempre voltava. Éramos opostos que não se atraiam, mas estávamos dispostos a contrariar a todos. Contrariávamos as leis da realidade, contrariávamos a nós mesmos e éramos dois fugitivos que se amavam acima de tudo. Vivíamos pelo impulso, pela urgência. Vivíamos como se estivéssemos com as armas apontadas contra nossas cabeças. Contando sempre os minutos para o fim chegar).
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Telefone.
Fazia tempo que eu não te escrevia nada. Minha cabeça chegava a doer com tanto pensamento que eu não expunha por medo. Era medo de parecer mais fraca do que eu sou, medo de parecer que eu estava num caminho sem volta. Mas foi falando com você no telefone ontem que eu percebi o que sempre foi claro demais, mas que eu tentei negar para mim mesma nos últimos dias: eu não preciso ter medo de tudo isso porque já é óbvio que eu estou realmente num caminho sem volta e se isso é sinal de fraqueza, como diria Lulu Santos: pois que seja fraqueza então. Porque nada se compara ao tanto que minhas mãos ficam geladas quando você me chama daquela palavra que começa com a, nada se compara ao tanto que eu fico risonha olhando o céu enquanto falo com você ou olhando o céu enquanto penso em você, nada se compara a você pedindo desculpa porque acha que eu fiquei brava com algo que você disse e nada se compara a você me dizendo meio baixo, segundos antes da bateria do celular acabar, que eu te fiz mudar muito. Será que você não percebe que se eu fiz isso é porquê você fez algo muito grandioso comigo e em mim também? Você salvou meus dias, eu sempre te disse. E até naqueles nossos tempos de brigas, de tentativas inúteis de te tirar da minha vida, meus dias só tinham algum sentido quando eu te mandava alguma mensagem só para saber se você estava bem ou quando eu te ligava, só para ficar em silêncio e chorar baixinho no seu ouvido. Eu achava que era mais forte do que tudo isso, mas isso é mais forte do que todo o resto. E além de salvar os meus dias, você me ensinou a me esforçar para assumir meus erros, erros bobos ou erros até mesmo grandes que com certo custo, eu tento assumir e se não assumo, eu te peço desculpas sussurrando. Além disso tudo, você me mostrou uma verdade óbvia: a gente pode ter tudo na vida, mas sem amor tudo vale nada. Não pensa, então, que foi só você quem mudou. Porque eu não só mudei, como consegui sair de um caminho escuro demais que eu não achava que teria fim. Mas teve. Você chegou trazendo lápis de cor e milhares de luzes, vagalumes (cegos) e estrelas que não se apagam nunca. Eu mordi a minha língua porque achava que sabia o que era amor antes de você, mas você chegou para me mostrar que eu estava errada e que toda a teoria que eu acumulei durante esses anos, não serviriam de nada na prática entre nós. Joguei fora tudo quando eu senti o que estava nascendo. Ignorei a lógica enquanto sentia meu coração disparar com você falando do outro lado que a minha voz era a melhor do mundo. Amor não é isso ou aquilo que dizem os escritores famosos; amor varia de pessoa para pessoa. E para mim, amor é: para cada razão que surgir para querer desistir, aparecer mais um milhão de razões para querer insistir. Amor, pra mim, é você. Sem dúvida ou questionamento. É e ponto.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
A história inacabada.
Todos os dias, uma folha branca terminava repleta de rabiscos inacessíveis a outras mãos que não fossem as minhas. Foram cento e quatorze folhas inundadas de sentimentos que eu não compreendia, cento e quatorze folhas de palavras que saíam sozinhas depois que eu lambia meus próprios lábios lutando contra esse impulso que vinha de dentro pra fora e de fora pra dentro. Era uma guerra diária. Eu lutava comigo mesma e sempre perdia. A minha parte vencedora, ria de mim enquanto estrangulava meu pescoço e me sussurrava as palavras que deviam ser despejadas no papel. Eu escrevia obediente e nem pensava em controlar minhas mãos que adquiriam vida própria.
Não havia começado com "Era uma vez..." e muito menos com qualquer outra tentativa de tornar a história brilhante. A voz que resmungava rouca no meu ouvido me insistia para por toda a realidade podre do mundo nas folhas e eu obedecia. Os amores ali expostos nada tinham de bonitos e eram regados por álcool em todas as quintas, queimados por cigarros em todos os dias e aquecidos por um café amargo demais. Quem lesse sentiria arrepios de agonia e não compreenderia palavra alguma. Nem eu compreendia. Eu só seguia o impulso. O impulso me pedia mais ardência nas paixões, mais brigas nos romances e eu obedecia. Chegava a dar dó das personagens.
Eu sempre acordava com uma ressaca terrível depois de virar a noite escrevendo. Ressaca alguma se compara com a ressaca de estar matando aos poucos o que de belo havia em mim. Ressaca alguma é pior do que a ressaca do excesso de palavras usadas. Palavras que poderiam ter sido jogadas debaixo do travesseiro, mas que insistiam em serem desperdiçadas jogadas nos papéis. Eu me contorcia tentando fugir da voz e não adiantava porque ela vencia todos os dias. Eu não sentia prazer algum sentindo tanta pena das minhas personagens, mas eu não podia salvá-las. Não podia pedir que elas fugissem enquanto houvesse tempo porque não havia tempo algum. Eu as controlava e a voz me controlava. O ciclo era infinito e eu não sabia o que fazer.
No dia em que eu iniciaria a folha cento e quinze que tudo mudou. Eu despertei e entendi o sentido de toda aquela guerra. Estava preparando meu café ouvindo a voz me cuspindo as próximas palavras e sorri. Sorri porque eu havia entendido tudo. A guerra travada comigo mesma tinha a ver com o medo de me encarar e de aceitar meus sentimentos. Pela primeira vez em cento e quinze dias, eu venci a mim mesma. Sem a ajuda de ninguém. Não precisei me apoiar em nenhuma certeza incerta. Não precisei recorrer a amores ou amantes. Eu fui salva por quem poderia me salvar e me destruir: eu mesma. Lambi meus lábios como da primeira vez e escrevi em letras grandes na página cento e quinze: FIM. Eu e as personagens estávamos livre. Mesmo com a história inacabada.
Não havia começado com "Era uma vez..." e muito menos com qualquer outra tentativa de tornar a história brilhante. A voz que resmungava rouca no meu ouvido me insistia para por toda a realidade podre do mundo nas folhas e eu obedecia. Os amores ali expostos nada tinham de bonitos e eram regados por álcool em todas as quintas, queimados por cigarros em todos os dias e aquecidos por um café amargo demais. Quem lesse sentiria arrepios de agonia e não compreenderia palavra alguma. Nem eu compreendia. Eu só seguia o impulso. O impulso me pedia mais ardência nas paixões, mais brigas nos romances e eu obedecia. Chegava a dar dó das personagens.
Eu sempre acordava com uma ressaca terrível depois de virar a noite escrevendo. Ressaca alguma se compara com a ressaca de estar matando aos poucos o que de belo havia em mim. Ressaca alguma é pior do que a ressaca do excesso de palavras usadas. Palavras que poderiam ter sido jogadas debaixo do travesseiro, mas que insistiam em serem desperdiçadas jogadas nos papéis. Eu me contorcia tentando fugir da voz e não adiantava porque ela vencia todos os dias. Eu não sentia prazer algum sentindo tanta pena das minhas personagens, mas eu não podia salvá-las. Não podia pedir que elas fugissem enquanto houvesse tempo porque não havia tempo algum. Eu as controlava e a voz me controlava. O ciclo era infinito e eu não sabia o que fazer.
No dia em que eu iniciaria a folha cento e quinze que tudo mudou. Eu despertei e entendi o sentido de toda aquela guerra. Estava preparando meu café ouvindo a voz me cuspindo as próximas palavras e sorri. Sorri porque eu havia entendido tudo. A guerra travada comigo mesma tinha a ver com o medo de me encarar e de aceitar meus sentimentos. Pela primeira vez em cento e quinze dias, eu venci a mim mesma. Sem a ajuda de ninguém. Não precisei me apoiar em nenhuma certeza incerta. Não precisei recorrer a amores ou amantes. Eu fui salva por quem poderia me salvar e me destruir: eu mesma. Lambi meus lábios como da primeira vez e escrevi em letras grandes na página cento e quinze: FIM. Eu e as personagens estávamos livre. Mesmo com a história inacabada.
sábado, 28 de janeiro de 2012
A Lua virou Sol e eu ainda não preguei os olhos.
Não precisa girar a chave hoje, amor. Na verdade, só coloca a chave embaixo do tapete e volta pro elevador. Hoje é dia de juntar papéis e embolar todas as mentiras para incendiar, mas eu preciso de mais fósforos pois os que eu possuo não serão suficientes. Fico analisando cada mísera palavra que saiu da minha boca e vejo todas se esvaindo pelo ar como fumaça, as que foram escritas no papel estão em alto relevo querendo pular para fora das linhas e esse gosto amargo na minha boca não me deixa recuperar nenhum "eu te amo" e nenhum "sempre vou amar". Não tem como recuperar o que era dito para um alvo abstrato. Eu me joguei de tantos precipícios porque achava poético saber que tinha você para me fazer flutuar e por mais que eu soubesse que essa hora chegaria, eu não achava que cairia de forma tão violenta contra essas pedras. Não há mais poesia quando eu me encontro cara a cara com a morte. A morte do que nunca chegou a ser e eu fingia não saber.
Os CD's arranhados jogados pelo quarto, as folhas voando com o vento cortante que entra pela janela, meu violão esquecido em cima da cama e eu fechando as portas com cuidado para não acordar ninguém. A noite chega ao fim com esse cheiro de álcool exalando por todos os poros e a minha imagem se mantém irreconhecível no espelho do banheiro. Olhos tão vermelhos me encarando e eu sei que se fosse há dias atrás, sumiriam enquanto eu dormisse tranquila sabendo que meus medos eram bobos demais para serem levados a sério. Agora, esses malditos olhos vermelhos, insistem em me acompanhar aonde quer que eu vá. Só para me lembrar que mais uma vez aconteceu o que eu jurei que não aconteceria jamais. Apago todas as luzes e procuro a posição mais confortável pro sono me alcançar, mas sei que é em vão. Eu pisco e nenhum resquício de sonolência me invade, só essas lágrimas azedas que já não sabem se caem ou acumulam-se no canto do olho para me embaraçar a visão.
Vou continuar embaralhando qualquer detalhe seu com qualquer detalhe meu só para mostrar pra mim mesma que não tem como encaixar. Eu jurava que tinha, mas não tem. A válvula de encaixe era a verdade e a verdade, amor, pra onde ela foi? Somos como um daqueles brinquedos de montar que a gente chuta no meio da sala sem querer e os pedaços voam para todos os cantos. Como um cristal qualquer que por um descuido foi arremessado contra a parede do apartamento. Como qualquer coisa que era frágil demais e eu insisti em fechar os olhos, mas que o susto me fez enxergar. Abri os olhos bem quando os cacos estavam voando janela a fora. Eu me jogaria do décimo segundo andar para correr atrás de cada pedacinho. Mas o que viria depois?
Os CD's arranhados jogados pelo quarto, as folhas voando com o vento cortante que entra pela janela, meu violão esquecido em cima da cama e eu fechando as portas com cuidado para não acordar ninguém. A noite chega ao fim com esse cheiro de álcool exalando por todos os poros e a minha imagem se mantém irreconhecível no espelho do banheiro. Olhos tão vermelhos me encarando e eu sei que se fosse há dias atrás, sumiriam enquanto eu dormisse tranquila sabendo que meus medos eram bobos demais para serem levados a sério. Agora, esses malditos olhos vermelhos, insistem em me acompanhar aonde quer que eu vá. Só para me lembrar que mais uma vez aconteceu o que eu jurei que não aconteceria jamais. Apago todas as luzes e procuro a posição mais confortável pro sono me alcançar, mas sei que é em vão. Eu pisco e nenhum resquício de sonolência me invade, só essas lágrimas azedas que já não sabem se caem ou acumulam-se no canto do olho para me embaraçar a visão.
Vou continuar embaralhando qualquer detalhe seu com qualquer detalhe meu só para mostrar pra mim mesma que não tem como encaixar. Eu jurava que tinha, mas não tem. A válvula de encaixe era a verdade e a verdade, amor, pra onde ela foi? Somos como um daqueles brinquedos de montar que a gente chuta no meio da sala sem querer e os pedaços voam para todos os cantos. Como um cristal qualquer que por um descuido foi arremessado contra a parede do apartamento. Como qualquer coisa que era frágil demais e eu insisti em fechar os olhos, mas que o susto me fez enxergar. Abri os olhos bem quando os cacos estavam voando janela a fora. Eu me jogaria do décimo segundo andar para correr atrás de cada pedacinho. Mas o que viria depois?
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Mentiras e finais.
— Eu corria do mundo pra me esconder em você e agora vou ter que correr pro mundo pra me esconder de você.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Tem sentido.
Nós vimos meu filme preferido juntos, você disse que eu pareço com a mocinha e eu fiz uma comparação idiota dizendo que mesmo que eu te apagasse da minha memória, igual ela, eu também te reencontraria por aí. Não seria em Montauk que está longe demais de nós dois, mas seria talvez ali na capital. Ou em qualquer outro lugar na metade da estrada. O que importa é que eu te reencontraria e mesmo sem me lembrar de nada sobre nós dois, não seria necessário mais do que alguns minutos para eu me re-apaixonar por você e te falar, meio estabanada, que iria casar com você. Tenho essa mania estranha de nos encaixar em qualquer história que eu leio, em qualquer filme que eu vejo ou em qualquer música que eu escuto. Tem algum sentido nisso?
O dia só corre bem ou só termina realmente bem quando eu consigo desenroscar esse tanto de palavras que eu tenho pra te falar. Algumas vezes eu desenrosco tagarelando no telefone e outras, eu só deixo tudo bem guardado nos meus papéis. Tudo fica meio torto e pela metade se eu não te conto. Igual daquela vez que eu caí no shopping e te liguei meio chorando e rindo. Igual das outras vezes que eu te contei histórias de anos atrás como se fossem recentes só para nos colocar numa máquina do tempo e te mostrar que tudo só faz realmente sentido se eu compartilho com você. As histórias da infância ou qualquer coisa do meu dia-a-dia, tudo está recheado de você. Mesmo que você não tenha dançado comigo, mesmo que você não tenha me ajudado a levantar quando eu caí. Mesmo assim. Tudo tem você. Tem algum sentido nisso?
Sempre me imagino arrumando as malas pra fugir com você, me imagino realizando tudo que a gente planeja, me imagino acordando bem do seu lado até meus noventa e seis anos e eu sempre sei, claramente, que é pra esse rumo que nosso destino aponta. Não adianta correr, não adianta ser pessimista porque a força disso tudo é maior do que qualquer outra coisa. Não adianta dizer que amor não é suficiente porque você me mostrou que amor é mais do que suficiente. Amor misturado com essa sede de nós dois, amor misturado com deslumbramento, amor misturado com realidade, amor misturado com paixão, amor misturado com todos os sentimentos bons que podem nos rodear. Eu sei que pegar na sua mão vai ser sempre a minha calmaria e que te beijar vai sempre despertar em mim tudo que eu achei que não sabia sentir. É o maior amor do mundo. E sim, tem sentido em tudo isso.
O dia só corre bem ou só termina realmente bem quando eu consigo desenroscar esse tanto de palavras que eu tenho pra te falar. Algumas vezes eu desenrosco tagarelando no telefone e outras, eu só deixo tudo bem guardado nos meus papéis. Tudo fica meio torto e pela metade se eu não te conto. Igual daquela vez que eu caí no shopping e te liguei meio chorando e rindo. Igual das outras vezes que eu te contei histórias de anos atrás como se fossem recentes só para nos colocar numa máquina do tempo e te mostrar que tudo só faz realmente sentido se eu compartilho com você. As histórias da infância ou qualquer coisa do meu dia-a-dia, tudo está recheado de você. Mesmo que você não tenha dançado comigo, mesmo que você não tenha me ajudado a levantar quando eu caí. Mesmo assim. Tudo tem você. Tem algum sentido nisso?
Sempre me imagino arrumando as malas pra fugir com você, me imagino realizando tudo que a gente planeja, me imagino acordando bem do seu lado até meus noventa e seis anos e eu sempre sei, claramente, que é pra esse rumo que nosso destino aponta. Não adianta correr, não adianta ser pessimista porque a força disso tudo é maior do que qualquer outra coisa. Não adianta dizer que amor não é suficiente porque você me mostrou que amor é mais do que suficiente. Amor misturado com essa sede de nós dois, amor misturado com deslumbramento, amor misturado com realidade, amor misturado com paixão, amor misturado com todos os sentimentos bons que podem nos rodear. Eu sei que pegar na sua mão vai ser sempre a minha calmaria e que te beijar vai sempre despertar em mim tudo que eu achei que não sabia sentir. É o maior amor do mundo. E sim, tem sentido em tudo isso.
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