sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Querido Damião,

Desisti de te chamar de "amor" como eu fazia nas madrugadas geladas enquanto você colava seu corpo ao meu. Desisti de muitas coisas desde que você saiu por aquela porta, sabe? Desisti de enxergar leveza e de apostar na profundidade. Risquei tantas coisas da minha vida, mas não te risquei. Ah... Isso não, isso nunca. Agora viro as noites vendo sua silhueta no escuro do quarto e me perguntando se você está voltando porque há tempos você me disse que se um dia fosse embora, voltaria rapidamente. Acho que você esqueceu de acrescentar o "exceto" essencial no final dessa frase, algo como: "...exceto se eu não te amar mais". Mas eu estou confusa, Damião, não sei se você me ama, não sei se deixou de me amar. Você me carregou nos seus ombros todos esses anos e me vez ver o mundo mais colorido, me fez ver além... Igual aquela canção que você cantarolava enquanto dedilhava meu violão sem nem saber o que estava fazendo. Ah, amor — eu menti na primeira frase dessa carta, desculpe —, eu não queria que você tivesse batido a porta daquele jeito... Eu queria que você tivesse me pegado pelos dedos e me levasse para o sofá me falando "te-acalma-menina-louca-já-já-a-gente-se-ajeita", igual você fez daquela vez que eu chorei porque você me comparou a seu ex-amor. O pior é que eu nem me lembro da nossa última briga, não lembro a razão dela ter existido, só lembro do momento que eu me toquei que você havia partido... O que eu preciso fazer pra você voltar pra casa, Damião? Eu te peço desculpas, eu te faço lasanha e dou o Teddy pra minha mãe. Não sei, não posso te prometer muita coisa, mas eu me prometo pra você. Ai, amor, desculpa, desculpa, desculpa. As lágrimas borraram o papel e eu nem sei mais o que estou falando. Esquece tudo que eu disse... Só volta. É tudo que eu peço: volta.

Com carinho,
Letícia.

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