quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Fragilidade, frágil idade.


Juntei os papéis, enxuguei o rosto e suspirei com os dentes cerrados: "Agora eu arranco isso daqui". Era uma espécie de súplica para mim mesma, eu estava suplicando por paz ou pelo menos pelo fim da guerra. Quando encostei na caneta, comecei a fazer tic-tac no botão que fazia a ponta aparecer. Tic-tac. "Mas o que está me incomodando?", tic-tac. "A vida...", uma voz dentro de mim sussurrou. E eu escrevi: "A vida me incomoda". Mas me arrependi logo depois e rabisquei com muita força o tracejado. Tic-tac. "A vida não me incomoda, as pessoas me incomodam...", eu escrevi na linha abaixo. E a voz dentro de mim perguntou: "Quem? Diz!". E niguém me veio em mente: pensei em várias pessoas e não pensei em ninguém. Rabisquei de novo. "Eu me incomodo...", escrevi e borrei o papel com uma lágrima escura. Lágrima suja de lápis de olho, papel sujo de caneta borrada. Arranquei a folha com cuidado do caderno e embolei no menor tamanho possível. Mas a voz continuou: "Escreva a razão para você se sentir incomodada por você mesma..." e eu lambi meus lábios, abri uma página aleatória em branco e tentei recomeçar a escrever. Mas nada saiu. Rasguei e embolei uma quantidade incontável de folhas, não soube dizer o que me incomodava em mim mesma e era exatamente esse o problema: o vazio.

domingo, 9 de outubro de 2011

Meduso.


Todos conhecem a Medusa: cabelos que na realidade são cobras e olhar capaz de petrificar qualquer um que fixe seus olhos nos dela. Todos conhecem a Medusa, mas apenas eu conheci o Meduso. O rapaz que não possui cobras no lugar dos fios de cabelo, aliás, seus cabelos são bem brilhantes e negros — como carvão. Nada de sobrenatural acontece com quem lhe olha diretamente nos olhos, ninguém vira pedra, o feitiço dele vai além, vai fundo. Se você o ver por aí, saiba que ele parece uma pessoa qualquer e é aí que a maldição se inicia... Então, camarada, não pense que ele é qualquer um porque ele não é. Ele é o Meduso: medonho e absurdamente irresistível.

A primeira vez que eu o vi foi num dia chuvoso em meados de algum mês que não me lembro agora: acho que foi junho, mas pode ter sido setembro... Eu havia saído de casa sem guarda-chuvas porque o Sol estava lindo no céu. Estava indo ao shopping ou a casa de uma amiga, não me lembro bem também, só sei que a chuva começou a cair quando eu estava na metade do caminho. Juro que parecia que alguém havia pedido no ouvido de São Pedro pra derramar o céu sobre a minha cabeça — onde já se viu um Sol tão lindo virar água em quinze minutos?

Tenho medo de contar essa parte da história porque logo depois que a chuva começou a cair, na esquina oposta do quarteirão em que eu me encontrava, lá estava ele com guarda-chuvas e óculos escuros. Eu abaixei os olhos porque me senti intimidada, mas eu sentia que ele estava se aproximando... Ele vindo e eu indo, eu cabisbaixa e ele com passos firmes, o campo eletromagnético dele invadindo o meu e aí aconteceu: nossos ombros se esbarraram com tamanha força que eu cambaleei e teria caído se ele não tivesse me segurado. Enquanto ele sorria pedindo desculpas, eu me mantinha hipnotizada com as mãos dele tocando o meu ombro. Ele tirou os óculos e se esforçou para que eu olhasse diretamente na sua pupila, na sua íris, nos seus cílios, na sua retina... E eu olhei. Olhei e senti o mundo caindo ao meu redor. A chuva sumiu, o chão sumiu, ele sumiu, eu sumi.

Comecei a vê-lo, então, todos os dias e em todos os lugares. Parecia alguma assombração que me perseguia. Em todas as vezes, ele se aproximava sorrindo, me dizendo um simples "Oi" enquanto retirava os óculos. Aqueles malditos olhos me provocavam as mais diferentes reações: a felicidade virava tristeza, a tristeza virava alegria, a calmaria virava tempestade, a agonia virava paz. Foi assim por meses, eu me sentia louca, mas me sentia amedrontada para dizer a alguém que um simples estranho me provocava aquelas mudanças de humor absurdas. Meses depois, já não éramos estranhos e eu tinha necessidade de vê-lo, de tocá-lo, de abraçá-lo, de entendê-lo, de desvendá-lo. Tinha necessidade porque ele se tornara o alvo do meu afeto e da minha devoção. E eu era como uma rainha ao seu lado. Planos e promessas sussurrados completavam os beijos dados no escuro do cinema. Mas eu mal sabia que isso fazia parte do feitiço, do sonho — ou seria pesadelo? Não lembro bem quando, não lembro bem onde — acho que ele teve o poder de mexer com as minhas memórias também —, mas um dia ele simplesmente sumiu. Evaporou. Não deixou carta, não telefonou, não mandou recado pelo vizinho, nem por pombo correio: nada. Nesse dia, senti um tremilique esquisito e comecei a chorar enquanto sentia uma dor no peito.

Eu ainda acho que preferiria virar, literalmente, uma pedra ao olhar nos olhos da Medusa do que ter vivido uma história ao lado do Meduso e ter tido, no final das contas, meu peito petrificado. Tome cuidado se o ver na rua, não deixe que ele encoste em você e nem acredite nas promessas do amanhã. Eu acreditei, eu o olhei nos olhos, eu me deixei ser tocada e estou aqui: parada, sem ninguém, tentando achar uma forma de quebrar essa maldição. Não é atoa que seu nome começa com M de medo e termina com O de obsessão.

domingo, 2 de outubro de 2011

Carta ao ilusionista.


A vida me impossibilitou de seguir te amando, meu amor, eu queria ter me mantido nessa insanidade para o resto dos meus finitos dias, mas foi a vida quem me puxou para longe. Eu te gritei enquanto pude, mas minha voz sumiu. Foi amedrontador... As lágrimas ardiam enquanto eu era arrastada e o vento batia forte contra meu rosto, a minha garganta se cortava sozinha enquanto eu gritava de maneira inaudível. Por mim, eu teria me equilibrado nessa corda bamba segurando a sua mão, mas eu sei que você gosta de pisar em terra firme e por isso me chamou para a realidade. A culpa não é só da vida então, a culpa é também sua. Foi você quem me deu a mão e me chamou para me juntar ao seu circo e apesar do medo, eu te acompanhei porque confiei no seu olhar de ilusionista. Olhar profundo, olhar hipnotizante, olhar amedrontador... Você me provocou tantas ondas elétricas e agora só sinto calafrios ao olhar seu retrato que ainda não tive coragem de jogar fora. Queria uma explicação para tantos adeus em poucos minutos, para tantas rasteiras no início do show... Estávamos só começando, você sabe bem, não é? O circo havia sido montado, havíamos feito a primeira apresentação juntos, mas você desistiu antes do fim do espetáculo. Ainda me lembro bem da cena: todas as luzes se apagaram, você sumiu e a plateia sumiu, mas uma luz branca ainda me iluminava e eu estava parada no meio do lugar sozinha e chamando seu nome. Depois suas risadas começaram e você me pediu para partir. Eu chorei e implorei para que me mostrasse meu erro, mas você não o fez. Disse que eu era perfeita, mas que o fim havia chegado. Ah, meu amor, quando disse que eu era perfeita, eu queria ter te abraçado e te pedido para te esperar atrás das cortinas... Mas sabia bem que você não aceitaria. Você gosta do sentimento exposto, da carne exposta, dos beijos expostos e eu não seria perfeita atrás das cortinas porque não era ali que você achava que eu deveria ficar. O meu lugar era outro espetáculo, então? Era aquilo que você dizia sem dizer. Perdoe-me se falhei, se não domei bem os leões ou se falhei nos trapézios, mas se eu falhei foi tentando acertar, se eu falhei foi tentando te impressionar. Você usou seu ilusionismo para me atrair pra perto e depois usou seu lado humano para me jogar para longe. Meu peito está ardendo sem você e ainda escuto suas chamadas, às vezes me pego dançando na ponta dos pés e sorrindo para o seu retrato: acredito que você fez magia e se petrificou na moldura para me observar todos os dias. Não direi adeus nunca.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Sente o céu, repara o mar...


A verdade é que eu não te conhecia, trocávamos palavras de vez em quando, mas eu não sabia nada de você. E mesmo assim, eu construí um carinho inusitado pela sua pessoa. Carinho dos grandes, carinho dos fortes. Quando eu te via falando da sua tristeza, eu só sabia ficar triste também. Dava vontade de te abraçar e não largar nunca, mas como? Eu nem te conhecia. Mas a vontade de te mostrar esse carinho todo era gigantesca e eu tinha que recorrer às palavras, era a única forma de chegar até você... Era rotina te escrever alguma coisa e às vezes, nem mandar. Mas o que eu mandava era um misto de carinho com gratidão, uma amostra mínima. Gratidão por você ter aparecido pra me dizer coisas tão lindas quando eu mais precisava. Uma vez você disse que a minha alma era linda e por isso você me admirava, você nem me conhecia e ainda assim, foi uma das coisas mais lindas que já me falaram. Tantas outras vezes você aparecia só pra falar alguma coisa que me animasse, qualquer coisa. Eu queria entender como pude ter essa amizade-platônica com você por tantos meses e queria entender porque eu não me dei a oportunidade de te conhecer direito antes... Agora você já faz parte da minha rotina, tão pouco tempo que parece muito já. Esses dias, eu experimentei o que era ver você falar que estava triste diretamente pra mim e me doeu, sabia? Mais do que antes, bem mais e apesar de agora conversar com você, ainda é impossível te abraçar. Eu só escrevi tudo isso para que você saiba que eu te admiro muito, que a sua alma é mais do que linda, que você é mais do que linda e que eu te abraço e te cuido de longe todos os dias. Desculpa por ser a pessoa mais chata que você conheceu nos últimos tempos e desculpa se eu pareço precipitada demais, mas eu posso terminar esse texto te chamando de amiga? Eu não vou afastar suas dores sempre que elas chegarem, mas eu estarei sempre com você mesmo estando do outro lado, viu?

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Querido Damião,

Desisti de te chamar de "amor" como eu fazia nas madrugadas geladas enquanto você colava seu corpo ao meu. Desisti de muitas coisas desde que você saiu por aquela porta, sabe? Desisti de enxergar leveza e de apostar na profundidade. Risquei tantas coisas da minha vida, mas não te risquei. Ah... Isso não, isso nunca. Agora viro as noites vendo sua silhueta no escuro do quarto e me perguntando se você está voltando porque há tempos você me disse que se um dia fosse embora, voltaria rapidamente. Acho que você esqueceu de acrescentar o "exceto" essencial no final dessa frase, algo como: "...exceto se eu não te amar mais". Mas eu estou confusa, Damião, não sei se você me ama, não sei se deixou de me amar. Você me carregou nos seus ombros todos esses anos e me vez ver o mundo mais colorido, me fez ver além... Igual aquela canção que você cantarolava enquanto dedilhava meu violão sem nem saber o que estava fazendo. Ah, amor — eu menti na primeira frase dessa carta, desculpe —, eu não queria que você tivesse batido a porta daquele jeito... Eu queria que você tivesse me pegado pelos dedos e me levasse para o sofá me falando "te-acalma-menina-louca-já-já-a-gente-se-ajeita", igual você fez daquela vez que eu chorei porque você me comparou a seu ex-amor. O pior é que eu nem me lembro da nossa última briga, não lembro a razão dela ter existido, só lembro do momento que eu me toquei que você havia partido... O que eu preciso fazer pra você voltar pra casa, Damião? Eu te peço desculpas, eu te faço lasanha e dou o Teddy pra minha mãe. Não sei, não posso te prometer muita coisa, mas eu me prometo pra você. Ai, amor, desculpa, desculpa, desculpa. As lágrimas borraram o papel e eu nem sei mais o que estou falando. Esquece tudo que eu disse... Só volta. É tudo que eu peço: volta.

Com carinho,
Letícia.

sábado, 10 de setembro de 2011

Dois patinhos fora da lagoa.


Numa conversa casual, minha mãe veio me contar que ontem iria fazer 22 anos de casada com meu pai se eles ainda estivessem juntos... Eu bebi um copo d'água e tentei não pensar nisso e consegui. Até deitar a cabeça no travesseiro. Quando eu estava pegando no sono, me veio uma pergunta em mente: O que leva um amor a se acabar assim?

Eu era criança, mas me lembro de olhar para os discos de vinil dos Beatles, Kid Abelha e tantos outros com pequenos escritos finalizados em um eu-te-amo.
Lembro de espiar pela fresta da porta da sala e vê-los se beijando dançando e aí eles me olhavam, gargalhavam e eu saia correndo.
Lembro das fotos do casamento. Onde é que elas foram parar, meu Deus?
Das alianças douradas.
Lembro das brigas também, é claro...
Lembro daquela rotina gostosa de esperá-lo na porta do trabalho, ganhar um beijo no rosto e depois vê-lo cumprimentando ela carinhosamente.
Lembro até certo ponto...
Mas tem um momento na minha mente que tudo isso se apaga.
E tudo que se passa dentro de mim é aquele dia de agosto de dois mil e sete: nós-vamos-nos-separar.
Eu fiquei triste nesse dia. Chorei... Ô, eu sofri demais. "Acabou, acabou", eu pensava.
Achei que era o fim do mundo.
Mas eu vejo que o amor ainda é eterno. Na memória, em mim e na minha irmã.
Quer prova mais bonita de um amor do que duas filhas tão amadas por duas pessoas tão incríveis?

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Replay,


O Sol entrava pela janela e me chamava para mais um dia, mas enquanto abria os olhos e retomava a consciênca, eu reparei que não ouvia os barulhos de carros na rua, ouvia apenas alguns latidos dos cachorros e o canto dos pássaros. Olhei para o quarto que eu estava... Eu conhecia muito bem aquele quarto, mas há tempos eu não dormia ali. Eu me encontrava no meu antigo quarto da minha antiga casa.

Fui coçar os olhos e soltei um grito abafado, minhas mãos estavam bem menores que o normal. Sentei-me em minhas cama e meus pés não alcançaram o chão. Minhas pernas estavam minúsculas, meus pés pareciam miniaturas. Pulei da cama e fui até o corredor da casa com a intenção de me olhar no espelho, mas este estava alto demais e tudo que eu consegui foi observar a parede verde água. Comecei a ouvir passos vindos da sala e me virei, minha mãe estava se aproximando e me pegou no colo quando chegou mais perto, conversando comigo como se eu fosse uma criança... E era exatamente nisso que eu havia me transformado.

Ela me levou para a sala e observei a vitrola que tocava algum disco dos Beatles, eu queria falar que adorava aquele disco, mas só consegui rir enquanto ela me colocava no tapete e falava que iria fazer almoço e que eu deveria ficar brincando quietinha. Antes que ela se retirasse, meu pai apareceu na sala também e eles se beijaram sorrindo. Mas eles não tinham se separado? Eu tenho certeza que sim, mas sorri observando aquela cena. De repente, minha irmã apareceu correndo na sala com um chocalho na mão. Meu pai e minha mãe a colocaram perto de mim e ela começou a sorrir, quando eles se retiraram da sala, ela falou comigo:

— Nem acredito que deu certo essa história de voltar no tempo... Até ontem eu tinha vinte anos e você dezessete.
— Que história? — Perguntei intrigada.
— Não importa, o que importa é que voltamos.

Fiquei boquiaberta, mas ela não pensou duas vezes antes de me pegar pela mão e me levar para o quintal de casa. E eu comecei a sentir tudo de novo: o prazer de pisar descalço na grama verdinha, o calor gostoso do Sol batendo no rosto com o vento bagunçando meus poucos cabelos, os cachorros correndo atrás de mim e as risadas... Tantas risadas por motivos pequenos. Passei o dia todo com minha irmã no quintal, só entramos para comer algumas besteiras ou para nos sentarmos um pouco na sala ouvindo a vitrola. Quase no fim da tarde, meus três primos chegaram e juntaram-se a nós. Éramos de novo aquele grupo de cinco crianças que não tinham nenhuma obrigação além de se divertir.

Antes que eu percebesse, acordei. E chorei.

domingo, 4 de setembro de 2011

Ah, menino...


Eu sei de tudo, meu amor, eu sei do seu passado e dos seus romances que nunca chegaram a lugar algum. Eu sei da sua vontade de amar e do seu mais recente amor surrado e desperdiçado por aquela que você prefere não citar o nome. Seu medo de pular nesse mar é totalmente compreensível, acredite. Eu te entendo porque eu também sou assim. Já vooei e me despedacei no chão, já nadei e me afoguei, já corri e tropecei. Já aconteceu de tudo comigo, menino, mas eu estou viva. E você também. Sabe-se lá quem de nós dois voou mais alto ou nadou mais fundo, mas não importa, o que importa é que nos ferimos e sobrevivemos.

Sobrevivemos e estamos aqui. Estou aqui e estou feliz, meu caro. Você acredita? Eu não consigo acreditar que ao seu lado meu medo é menor que minha felicidade. Eu quis te dizer isso enquanto você me embalava no seu colo e traçava minha boca com seus dedos, mas eu só fechei os olhos e senti meu peito lotado de algum sentimento que eu não sentia há tempos. Eu sei que se eu falar, vou te assustar, você vai fugir e eu não quero te ver correndo pra longe. Somos fortes juntos. Depois de tantas tristezas nessa sua rotina que eu acompanhei de perto e depois de tantas tristezas na minha rotina que você acompanhou de perto... Transformamos tudo em força.

Não somos um casal, mas somos duas pessoas que juntas são bem melhores. Sou melhor com seus beijos atrás da minha orelha, no início da nuca. Você é melhor com minhas mordidas no seu ombro. Nós somos melhores cozinhando e bebendo vinho. Sou melhor nos domingos de manhã quando acordo com seus braços ainda ao meu redor. Você é melhor quando faz um pequeno drama me pedindo chamego. Somos melhores de manhã do que à tarde, isso eu tenho certeza, mas à noite nós somos incríveis e quando chega a madrugada, tenho impressão de que somos infinitos, invencíveis ou um casal... Um casal que não é um casal de verdade, mas que é bem melhor junto.

Por isso, eu repito que eu sei bem. Eu não criei um amor por ti aqui dentro, eu criei "nós". Inaugurei um espaço dentro de mim só para você, um espaço na minha memória só para nós dois e palavras na minha boca só para seus ouvidos. Sussurrarei enquanto puder que te quero e que te quero bem. E eu sei que em resposta você me dirá o mesmo de sempre, também: te quero agora. Agora, meu amor. Não me interessa o depois e nem nossos medos, me interessa seu sorriso agora. Vai, olha para o seu ombro direito, me veja encostada em você e pra finalizar, sorria pra mim. E feche esse texto, oras, venha aqui me dar um beijo.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Varanda.


Estava cedo e estava calor, o Sol invadiu minha janela antes das oito da manhã e me obrigou a tomar uma ducha e me lembrei que você disse que viria... Enquanto a água caia sobre meu rosto, eu ri e quase gargalhei porque era óbvio que você não apareceria. Vesti a roupa mais leve que eu tinha e fiz um chá gelado. Eu sabia que você não viria, mas no fundo, eu queria mesmo estar errada e por isso peguei minha xícara e me sentei na varanda. Observei o sábado começar pra muitas pessoas... Vi a senhora da casa da frente limpando a grama, o rapaz da casa ao lado passeando com seu cachorro, um homem saindo para o trabalho. Vi a vida deles se movendo enquanto eu estava sentada na varanda. Eu podia ter ido ao parque porque você não apareceria de qualquer forma, mas do tanto que eu queria estar errada, eu resolvi ficar em casa pensando vai-que-ele-me-surpreende-dessa-vez. Sou uma completa idiota, eu sei bem. Meu cachorro sentou ao meu lado e me olhou triste porque ele sabia que você não apareceria, eu afaguei a cabeça dele, disse que podíamos estar errados e ele rosnou pra mim. Minha amiga me ligou e me chamou pra fazer umas "comprinhas" com ela, mas eu disse que não podia e fiquei em silêncio e ela jurou me matar se eu tivesse esperando por você porque ela tinha certeza que você não iria chegar. Mesmo com todos os pensamentos negativos, ainda sentada na varanda eu ensaiei diálogos para nós. Diálogos ruins, diálogos felizes, brigas, irritações, sorrisos... Mas queria me enfiar na frente do caminhão do lixo quando ouvi o barulho. Onde já se viu? Eu estava acreditando que você apareceria... Que patética. Comecei a ficar com fome e por isso corri na cozinha, preparei um sanduíche e fui comê-lo na varanda. Horas se passaram e eu continuei na varanda. O vento ficou forte, mas eu continuei na varanda. Continuei na varanda te esperando. Até que meu celular vibrou acompanhado dos dizeres em sua mensagem: "Desculpa, mas não vai dar". Mas eu continuei na varanda chorando enquanto eu observava o dia sumir na minha frente... Um dia perdido te esperando. Eu sabia que você não viria, mas eu queria estar errada. Ou queria pelo menos um telefonema. E a noite nasceu, eu ainda estava na varanda... Meu cachorro se deitou no meu colo e me suplicava em silêncio para parar de chorar. Mas eu não conseguia. Até que surgiu um farol no meio da escuridão e você abriu a porta. E nos beijamos e você se desculpou pela brincadeira sem graça. Mas eu acordei na varanda. E demorei a entender o que tinha acontecido: Dormi por algum tempo e você finalmente havia aparecido. Nos meus sonhos, apenas.

Dear,

Você superou as expectativas quando apareceu. Em um momento, eu estava um pouco tímida com a primeira conversa e depois você já dizia que ia me dar uma porrada. Maldita ou bendita quase-porrada que me arrancou tantas risadas e me fez ter a certeza de que você tinha chegado pra ficar. Tinha vindo pra me fazer ter certeza de que algumas coisas valem a pena mesmo na distância. Seria estranho se eu tivesse dito que já amava sua amizade na primeira conversa "demorada" que nós tivemos? Eu sei que seria, mas enquanto nós nos despedíamos era isso que eu queria dizer. A minha rotina agora tem seu nome no meio porque se não tiver tem algo muito errado. Eu poderia citar nossos momentos aqui, mas não é isso que eu quero fazer... Eu só quero falar como diz naquela música que "eu-acertei-o-pulo-quando-te-encontrei", mas por favor, ignore o resto da letra senão vai soar meio lésbico, querida. O mundo ao meu redor estava desabando e foi você quem reconstruiu, quem me fez rir enquanto cantava Unidunitê. Você está tão longe, mas está mais perto do que esses estranhos que eu vejo todos os dias... Estranhos que nada me acrescentam, estranhos que nada importam, tantos estranhos que se somados não valem uma "você". Eu trocaria eles por você, se eu pudesse. Eu estaria por perto se eu pudesse. Eu tenho certeza que você veio pra ficar, tive essa certeza na nossa primeira conversa e tenho todos os dias... Você é um pedacinho que faltava em mim. Não sei como te agradecer pelas risadas, pelas brincadeiras na madrugada, pelos desabafos. Sinta-se abraçada a todo instante que você se sentir sozinha porque eu vou estar com você. Eu amo você, menina bezerra. E uma pergunta simples: tem irmão?