terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Felicidade.



(Ei! Obrigada a quem tem comentado aqui... Desculpem a falta de textos. Mas leio tudo que cês dizem com muito carinho. Obrigada mesmo. Beijos grandes e aproveitem essa música deliciosa!)

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Fica que não é errado.

os trilhos se quebraram,
o vagão perdeu o rumo,
os sinos nem tocaram,
mas já avisaram pra todo mundo
o tic-tac do relógio
e o suspiro descompassado
foram mil dias de angústia
mil dias no passado
agora a vida se confunde
com o certo e o errado
só não queria ouvir o som da morte
é muito cedo
é muito errado
é cedo porque não nasceu ainda
estamos vivos no passado
o futuro é desconcertante
"me desculpa pelo errado"
o presente nos prende ainda
tá tudo certo, não tá errado.
fica, fica, fica
fica no presente
não no passado
sem ter medo do que vem
sem olhar pra outro alguém
assim, só assim.
esquece os sinos
esquece a morte.
ainda estamos vivos
estamos lado a lado.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Sobre a sua imortalidade.

Hoje você achou que eu não tinha mais motivos para escrever sobre você. Falou com medo da minha resposta que talvez eu estivesse sem inspiração.
Baby, baby. Você não sabe que tolices foram essas que passaram pela sua cabeça. Enquanto eu existir, vou escrever sobre você. Essa é a verdade, nua e crua. 
Porque eu tenho essa necessidade de te imortalizar. Já pensou que loucura? Você será imortal. Você tem que ser imortal, é o mínimo que eu posso te oferecer por tudo que você me faz sentir. Quando pessoas desconhecidas acharem meus papéis e meus escritos, não saberão quem é você, mas vão pensar que existiu alguém que foi o alvo de tanto amor. Vão questionar se você é tudo isso que eu sei que você é. Não acreditarão que eu nunca tenha cogitado a probabilidade de deixar de te amar. E dessa forma você será imortal. E dessa forma nosso amor será imortal.
Por isso que eu nunca deixo de escrever sobre você.
A inspiração falha às vezes, sim. Eu entro em pane, mas não é nada que dure muito tempo. Não se preocupe.
Eu sei que minhas palavras não são de extrema importância para o mundo. Mas elas são quase tudo que eu posso te oferecer. E eu não me canso de escrever sobre você.
Sobre sua mania viciante de me fazer rir. Que nem aquele dia que você falou mil espécies de pássaros diferentes que você queria que eu desenhasse.
Sobre sua paciência.
Sobre sua voz que está sempre comigo. Enquanto escrevo, é incrível a sua capacidade de me sussurrar coisas mentalmente e é incrível o efeito que isso causa em mim.
Eu não me canso, eu nunca vou me cansar de escrever sobre você.
E aposto que você nunca vai se cansar de me fazer escrever sobre você.
Você bate e eu te deixo entrar. Eu escrevo e você quer ficar.
Você sempre fica.
E alegre-se, amor... Você já é imortal.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Desculpa pela bagunça, mas fica.

Sinto minha inspiração escorrendo pelo ralo.
Como se a enxurrada da rua estivesse limpando minha mente, arrancando minhas lágrimas e lambendo meu rosto, levando consigo as palavras que eu nunca usei.
Sempre coube a mim falar incessantemente. Eu sempre suportei nosso silêncio, sempre engoli o vácuo que nos rodeava para ter ao menos nosso silêncio. Mas quando era hora de falar, sempre coube a mim.
Já joguei milhares de palavras contra você, como se fossem tijolos pesados. Você sempre se assustou, mas sempre se deixou atingir. Em cheio. No meio da cara. Você sentia uma dor horrível quando minhas palavras te atingiam, mas mesmo assim, sempre disse que eu não devia pedir desculpas por nada. A culpa nunca foi minha, baby?
Presta atenção. É claro que a culpa é minha.
Sou eu que ouço as músicas e relaciono conosco. Sou eu que ouço Beatles, Renato Russo, Cazuza e Caetano, te procurando em cada verso. Sou eu que fecho os olhos e deixo as palavras se apossarem de mim. Nunca impedi que nenhuma merda não fosse vomitada porque eu sempre me sentia sufocada com tudo engasgado em mim. Mas e você? Quantas vezes você não sentiu tudo engasgado e acabou passando mal escondido de mim? Quantas, me diz? E você nem ao menos me chamou para segurar seus cabelos antes que eles grudassem no seu rosto, misturando lágrimas, suor e desespero. Ao contrário de mim. Eu sempre apertei sua mão com tanta força, sempre expus minha dor sem remédio e você ainda diz que a culpa não é minha?
A culpa é mais do que minha. A culpa se apossou de mim a partir do momento que eu chorei desesperada no seu ouvido pela primeira vez. Eu nunca deveria ter me descascado dessa forma para você, nunca deveria ter subido nos seus ombros porque eu achava que você tinha ombros fortes. Agora seus ombros são fracos. Eu te causei uma dor infernal e agora você se curva dessa forma enquanto anda.
Eu nunca fiz nada por mal. Nunca quis que você me salvasse porque eu sei que não há salvação para quem escreve. Mas você me salvou. Olha que merda. Você me salvou. Você limpou minha alma com suas piadas horríveis que nem aquela do homem de três cabeça que eu comecei a contar para todos. Você limpou minha alma e eu te sujei. Com cada esforço para te fazer feliz, eu te sujava mais. E você nunca me culpou.
De certa forma, você se culpa. E eu sinto vontade de chorar quando você diz que não há esperança para você. Acabo chorando mesmo.
Porque há esperança sim. Você já é a esperança em forma de pessoa que surgiu no meu caminho.
Eu sempre quis te salvar dos monstros que eu mesma jogava no seu quarto no meio da noite. Sempre quis te salvar de mim. Sempre quis te salvar de você.
Eu tento todos os dias. Eu me esforço com todas as minhas forças, tenho me esforçado para limpar a bagunça que eu causei. Vou começar pelas janelas que são seus olhos. Ainda quero te fazer enxergar que podemos ir longe. Depois limparei suas mãos que eu manchei de sangue enquanto fincava minhas unhas desesperadas em você. Limparei o nosso céu, nossa rua, nosso mundo e o que mais for preciso. Só para você não curvar mais os ombros enquanto anda, só para apaziguar sua dor.

domingo, 28 de outubro de 2012

Fênix.

Nossos ombros são tão frágeis. Não suportamos o mundo em nossas costas. Eu não suporto carregar baldes com suas lágrimas em cima da minha cabeça, você não suporta as marteladas de realidade que minhas lamúrias fazem você sentir diretamente na sua cabeça. Não suportamos. Somos frágeis, como qualquer folha de papel voando sem rumo. Mas somos fortes. Como qualquer incêndio que se iniciou porque um fósforo caiu na mata. Foi tudo ameno até deixar de ser. Foi tudo fácil até nossa fragilidade escancarar os dentes e tentar nos devorar. Mas ela não conseguiu. Só que ela não desiste de tentar. O nosso universo insiste em gritar que é aqui o nosso lugar, mas nossa fragilidade nos faz pensar que não podemos suportar sendo que podemos. Todas as vozes dizem que podemos, todas essas vozes internas que lutam contra meus demônios. Só temos que tirar o peso do mundo das costas e deixar que ele escorra pelo chão, se infiltre nas ruas e deixe nossos ombros em paz. Ninguém merece ter que se fazer mais forte do que realmente é, nós não merecemos. A nossa leveza ainda se esconde com a nossa força. Silenciosamente e discretamente, consigo ver que ainda há uma fênix em nós. Ou melhor: somos a fênix. Somos uma única fênix nesse emaranhado de ilusões e derrotas, nossa essência é a mesma e eu estou sentindo o cheiro forte das cinzas. Mas não se preocupe, amor. Somos dessa espécie rara que nunca morre de vez, somos dessa espécie rara que sempre renasce do pó.

domingo, 21 de outubro de 2012

"Por favor, por amor..."


Eu ainda vou viver
Pra ver o que deu tentar prever
Mesmo tempo e as duas cidades
Peito aperta só de olhar para lá

Paraná
Pra falar a verdade há muito eu tô tentando te evitar
mas a solidão instiga e a saudade rasga
nessa vontade inata, renata, de alguma outra vida cármica

Passada
Eu vou passando a minha simples passear
A esperar que caia em si, por si e saiba
Qualquer dia desses aja como eu sonhara há quase uns dez anos atrás, já

Se liberta
Mostra ao mundo todo que você me ama
Atende a suplica da química vem pra cama
Se negue a deixar que o outro impeça o nosso riso
Escuto o som da vida a tocar o nosso hino
Quando a gente acordar junto o universo irá cantar
Todos os medos desses dias tristes virarão dança
Se emancipa e deixa felicidade reinar plena
Arranca de uma vez do meu peito essa tormenta

Por favor
Por amor
Quando você me notar
Acredite ainda estarei

O que me enlouquece é o por quê.
Por que você? Por que eu merecer tanto esse sofrer?
No dia em que você se casar
Me desculpe mas eu não vou poder estar lá
Pra ver quão linda você ficará de noiva
Pra assistir o sim da minha própria perpétua sentença
Mas eu até rezo pra que valha a pena
Sejas feliz, eu hei de suportar ou morrer de amor

Se liberta
Ainda dá tempo mostra ao mundo todo que você me ama
Atende a suplica da química vem pra cama
Se negue a deixar que o outro impeça o nosso riso
Escuta as tuas avenidas a entoar os sinos
Quando a gente acordar junto o universo irá cantar
Todos os medos desses dias tristes virarão dança
Se emancipa e deixe a felicidade reinar plena
Arranca de uma vez do meu peito essa tormenta

Por favor, por amor
Tenta
abafar o medo que te impede de gritar
Abre de uma vez a tampa presa da garganta
E solta em toda fúria vá dizendo que me ama
Quando a gente acordar junto o universo irá cantar
Todos os medos desses dias tristes virarão dança
Se emancipa e deixe a felicidade reinar plena
Arranca de uma vez do meu peito essa tormenta

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Quer fugir comigo?

Um dia, eu bati na sua porta. Não foi assim tão simples, nem ao menos aconteceu. Mas me deixa terminar. Eu bati. Você se lembra do futuro? Porque eu me lembro bem. Eu cheguei com aquele monte de malas e joguei na sua calçada. Você não me esperava, mas minhas pernas me levaram até você. Eu já estava sem forças, sem fé, sem rumo, sem dinheiro, mas me enfiei em um ônibus e fui atrás de alguma sanidade. A sanidade que sempre coube a você me entregar, não que eu quisesse te dar alguma obrigação ou fazer seus ombros pesarem, mas você sempre teve a capacidade simples de injetar calmaria, força, sonhos e sanidade em mim. Uma dose mínima e eu me mantinha firme por um dia inteiro, por semanas até, talvez. E eu fui atrás dessa dose, dessa única dose.

Já não suportava o cheiro sufocante de cigarro pelos bares escuros, pelas avenidas sujas, pelas noite sem fim. Eu queria o cheiro de café, de cigarro e de sono vindo de você, misturados com aquele seu perfume. E fui até sua porta sem saber o que dizer. Com vontade de te beijar, afundar o nariz no seu pescoço e te sussurrar baixinho aquelas bobagens que você conhece bem. Fui até seu mundo querendo me infiltrar de vez na sua história. Querendo deixar de ser um borrão no seu livro e te ajudar a escrever cada mínima linha. Querendo te levar comigo e te entregar tudo que eu sempre jurei te entregar. Ainda não se lembrou desse nosso futuro? Eu me lembro tão bem, amor. Escuta o resto de olhos fechados que eu vou te ajudando a se lembrar.

Eu cheguei, bati na sua porta e te olhei por demorados minutos, não sei bem quantos, acho que te olhei enquanto você permitiu que eu te olhasse, até me fazer te abraçar ou te beijar ou algo assim. Você me levou para qualquer lugar e eu fiquei horas nervosa, sem saber soltar palavras com sentido, sem parar de rir apertando sua mão e sem ter coragem de te largar por um segundo que fosse. Com vontade de te apertar até o fim dos tempos, de apagar todas suas mágoas passadas e de perguntar baixinho qualquer coisa sem sentido para ouvir sua risada perto do meu ouvido. Mas eu não fiquei só na vontade não. Depois de algum tempo, eu perguntei por impulso: quer fugir comigo? Você estava soltando uma risada quando eu disse isso e ficou com um semblante sério no mesmo instante. Eu comecei a suar, meu coração disparou e você levantou uma sobrancelha. Aí eu tomei coragem e continuei:

— Quer fugir comigo? A gente pode pegar os meus trocados da poupança, eu tenho o cartão e tudo. Depois a gente se enfia dentro de um ônibus quente com nossas mochilas e vamos sem rumo. Nada de avião, por favor, avião só se você quiser cruzar o oceano que eu não cruzo de navio nem que me paguem. O que você acha? Se a gente pegar o ônibus mesmo, nas paradas a gente compra uns chicletes, uns óculos escuros, algumas baboseiras para forrar o estômago e alguns chaveiros para pendurarmos ou colecionarmos. Aí depois de dias de viagens, a gente se enfia num hotel no meio do nada e arruma um quarto qualquer para gente se esconder. A gente joga as roupas em qualquer canto, toma um banho, faz nossas besteiras e dorme por horas. E depois a gente se joga na estrada de novo e se perde nesse mundo sem fim cantando qualquer música que fale de liberdade. Quer fugir comigo?

Parei. Você riu do meu nervosismo, você riu da minha cara de idiota, riu da minha fala atropelando as palavras e disse que queria, mas perguntou se eu estava falando sério. Mas depois você disse com todas as letras que sim. Que queria, que arrumaria suas coisas e que era para gente correr. Depois disso, só lembro do vento na cara, da cabeça no seu ombro e do sorriso na boca.

Falei como se fosse passado, sabendo que é futuro.
Não exatamente assim, mas quase isso.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

"E se eu puder fazer por ti o que ninguém jamais fez por mim, eu faço"

Eu te compus uma música no escuro. E te entreguei quando o dia nasceu. Eu não sei compor, não sei rimar, mas tentei. Agora só falta arrumar um ritmo certo, um ritmo que não seja brega. E preciso depois aprender a não desafinar na hora de cantar. Ou canto desafinando mesmo. Depois eu escrevo um livro. Picho um muro na frente da sua casa. Escrevo em um outdoor na rua do seu trabalho. Bato na porta de um astrônomo e peço para ele colocar seu nome em uma estrela bem brilhante. Roubo mil rosas e te dou, imitando Cazuza, só para ouvir sua voz rouca me chamando de exagerada. E conto para o motorista do ônibus sobre você. Escondo meu celular para ninguém descobrir nossos segredos. Puxo sua mão pela madrugada. Beijo seu pescoço antes de dormir. Vou para o litoral, mergulho em alto mar e te dou uma estrela-do-mar de presente de recordação. Te ensino a montar cubo mágico. Te espero mais vinte minutos, te espero mais vinte anos. Escrevo cartas e escondo em lugares que você só achará daqui alguns anos. Cozinho sua receita preferida. Divido minha bebida com você. Divido meu travesseiro. Divido meus sonhos. Vejo o seu filme preferido quantas vezes você quiser. Faço você ver meu filme preferido quantas vezes eu quiser. Depois, depois, depois. Depois te conto uma história bonita. Leio o mesmo livro quantas vezes você quiser. Murmuro que te amo depois de uma briga. E sigo te amando.

Te espero mais vinte minutos todos os dias,
Te espero mais vinte anos em todas as vidas que cabem em mim.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Murmurava tanta coisa...

E me pedia em segredo, aquele monte de bobagens. Ninguém prestava atenção nos sons, nos ecos. Mas ele continuava me pedindo enquanto eu estivesse ali. E eu sempre estava. O coração palpitava, ficava exposto para quem quisesse ver e ele me pedia e repetia. Era tudo segredo. Segredo sacana, mas não era covarde. Não tinha covardia ali. Era a mais pura forma de segredo. Silêncios do tamanho do céu que nos aproximavam enquanto o mar de lençóis nos rodeavam e depois o silêncio sumia aos poucos e dava lugar a mais segredos. Segredos que só nós ouvimos. E todo aquele choque me acompanha desde então, choque que me arrepia cada fio de cabelo, até mesmo os meus raros pêlos do braço. O meu maior segredo e a minha melhor confissão. Ele se escondia entre sonos pesados e me chamava baixinho quando começava a amanhecer, a noite vinha chegando pesada, mas ele repetia: o sol ainda existe, baby, me conta teus segredos também. E compartilhávamos. Nos rásgavamos sem pudor diante um do outro e eu balbuciava quando alguma lágrima queria sair e ele ficava perplexo tentando entender o que estava havendo. Eu só dizia que nada, nada, nada. Mas sem mencionar que sentir tanto me preenchia e que quando o amor aumentava, eu precisava transbordar. Esse segredo ele nunca soube, esse segredo ele nunca ouviu pela minha boca, mas quando ouvia meu silêncio, já entendia bem. Eu transbordava e ainda transbordo amor. Transbordo sem medo do amanhã porque estamos muito além dessa definição de tempo. Ontem, hoje, agora, depois e amanhã... Tudo se embaralha e eu continuo compartilhando meus segredos com você, continuo sentindo tanto choque antes de dormir e continuo abafando qualquer som com algum CD barato que repete sempre as mesmas canções para os meus ouvidos que nunca se cansam de ouvir atentos enquanto eu me perco em nós dois.