sexta-feira, 18 de março de 2011

A menina que cresceu.

Você está vendo aquela menina ali sentada, olhando para longe e com cara de quem está viajando em pensamentos? Está reparando na fisionomia dela? Pois eu reparei.... Ela não está chorando e muito menos com uma expressão triste, mas também não está exalando felicidade pelos seus olhos castanhos. Sua boca está em formato de uma linha reta. Seus olhos não demonstram nada. Sabe no que ela está pensando? No tempo. Sim, no tempo. Aquele que ela sempre ouviu dizer que era o melhor remédio para a cicatrização de qualquer ferida, mas será que alguém além dela pensa que o tempo também pode trazer algumas feridas?

Sua vida era assim: colegial, amigos, festinhas na casa do fulano e outras na casa do ciclano, sorrisos e lágrimas, muitos abraços sinceros, dever de casa copiado do amigo-super-inteligente, trabalho em grupo que só rendia risadas, sonhos sobre o futuro e piadas prontas na ponta da língua. Felicidade plena, apesar das dores passageiras. Mas ela tinha que crescer, não tinha? Ela sabia que tinha. Então, abandonou antes da hora os seus amigos de colegial e foi para a universidade atrás do que ela queria. Sua vida ficou assim: universidade, baladas e mais baladas, sorrisos verdadeiros, sorrisos amarelos, abraços sinceros, abraços falsos, noites em claro estudando, assuntos sérios, problemas mais sérios ainda. Felicidade, mas não tão plena assim.

Ela se sentiu mal com o início das mudanças, o início do amadurecimento. Estava radiante com seus novos amigos - não tão amigos quanto os seus antigos do colégio -, mas no segundo seguinte estava em sua casa, fazendo algum trabalho e pensando como seria se aqueles outros amigos estivessem ali, porque mal se passaram seis meses e distâncias não-literais já foram criadas entre ela e algumas pessoas, a saudade começou a doer, sabe? Ela mal conseguia pensar em tudo isso sem chorar. Além dessas distâncias de coração, vieram algumas distâncias físicas também. Aquele amigo mudou de cidade, aquela amiga não pôde vê-la porque estava estudando muito para o "cursinho". 

Ela não conseguia olhar para as novas pessoas do seu dia-a-dia e ter aquela certeza que tinha com as velhas amizades de que poderia ligar para elas as 3 da manhã só para chorar desesperada enquanto arrumava a mala para fugir de casa por causa da briga com a mãe e por um milagre, ser impedida com simples palavras de consolo. E vocês não sabem, mas ela foi dormir chorando quando pensou nisso e ainda foi questionada na aula no dia seguinte o porquê daqueles olhos inchados, mas balançou a cabeça sorrindo e disse que não era nada.

Ela sabe e você também que a vida exige isso de nós, o tempo tem mesmo que passar e as mudanças tem mesmo que ocorrer. Mas ela só não esperava que fosse tão triste assim. O que faz com que ela se conforme todos os dias é ver aqueles amigos dos últimos anos que se mantém firmes e fortes ao seu lado, mas ela sente seu peito doer ao ver que por motivos particulares, algumas amizades estão indo embora junto com o tempo. Ela quer gritar para eles ficarem, para eles não a deixarem e quer fazê-los lembrar de coisas do passado. Mas quando ela pensa na palavra "passado", ela entende tudo. As amizades que ficaram no passado, devem ficar por lá, trazendo apenas boas lembranças - que vão doer em alguns momentos. Mas as que continuam até hoje, apesar de tudo, devem continuar para sempre. Mesmo que o "para sempre" seja bastante relativo.

Você está vendo aquela menina ali sentada e pensando sobre o tempo? Aquela menina está crescendo e aquela menina sou eu.

4 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns.. esse texto é perfeito!

Luísa disse...

Amiga,mesmo com essas mudanças quero que você saiba que nao está sozinha,pode sempre contar cmg!
P.S:até pra ir nos cc :p sério.

Marianna Rocha disse...

Lindo texto!

Queria muito saber que música é essa, gostei dela ;)

Long Haired Lady disse...

a vida é feita de ciclos.