O apartamento era gigante e vazio. Poucos móveis. No canto da nova sala, a mala estava jogada e aberta. Alguns sapatos já estavam espalhados pelo chão. Nenhum perfume no ar, nenhuma brisa. Só aquele cheiro de tinta, aquele cheiro de apartamento que não recebia o ar do exterior há anos. Uma parede estava descascando. O chão fazia ruídos enquanto ela se movia, a madeira já estava pedindo uma reforma. A janela da sacada fora aberta. "Finalmente", ela pensou e um pouco de ar começou a invadir o ambiente. Ar puro, mas não tanto quanto... Ah, melhor não lembrar. Ela havia esquecido seu vestido favorito, seu sapato favorito, seu mensageiro dos ventos e mais um monte de pedaços dela... Ela havia chegado naquele apartamento novo despedaçada. E por que ela fora embora? Porque era a hora. Todo fim dói apesar de ser uma oportunidade de recomeço. Ela correu para o banheiro e tomou uma ducha. A água era gelada demais e se tentava regular, ficava quente demais. No chão não havia um tapete pintado por ela, era só um azulejo branco e triste. Na bancada da pia não tinha sua escova e nem tinha a escova dele, não tinha nada. No espelho, ela viu seu rosto inchado. Seu celular estava esquecido dentro da mala e vibrava enquanto ela permanecia se olhando no espelho. "Dói, amor, mas eu não posso voltar", ela sussurrava para si mesma como se houvesse a chance dele ouvir do outro lado da cidade. O celular continuava vibrando... Era ele querendo conversar. Ela saiu enrolada da toalha e tentou sentir paz, mas o fim ainda pesava bem no fundo da alma. Foi para a sacada do apartamento e fechou os olhos. O celular parou de vibrar. Lágrimas saiam pelos olhos enquanto ela observava o pôr-do-sol. Seria difícil recomeçar, difícil demais...
sábado, 27 de agosto de 2011
Fim do dia sem ele. Fim da vida com ele.
O apartamento era gigante e vazio. Poucos móveis. No canto da nova sala, a mala estava jogada e aberta. Alguns sapatos já estavam espalhados pelo chão. Nenhum perfume no ar, nenhuma brisa. Só aquele cheiro de tinta, aquele cheiro de apartamento que não recebia o ar do exterior há anos. Uma parede estava descascando. O chão fazia ruídos enquanto ela se movia, a madeira já estava pedindo uma reforma. A janela da sacada fora aberta. "Finalmente", ela pensou e um pouco de ar começou a invadir o ambiente. Ar puro, mas não tanto quanto... Ah, melhor não lembrar. Ela havia esquecido seu vestido favorito, seu sapato favorito, seu mensageiro dos ventos e mais um monte de pedaços dela... Ela havia chegado naquele apartamento novo despedaçada. E por que ela fora embora? Porque era a hora. Todo fim dói apesar de ser uma oportunidade de recomeço. Ela correu para o banheiro e tomou uma ducha. A água era gelada demais e se tentava regular, ficava quente demais. No chão não havia um tapete pintado por ela, era só um azulejo branco e triste. Na bancada da pia não tinha sua escova e nem tinha a escova dele, não tinha nada. No espelho, ela viu seu rosto inchado. Seu celular estava esquecido dentro da mala e vibrava enquanto ela permanecia se olhando no espelho. "Dói, amor, mas eu não posso voltar", ela sussurrava para si mesma como se houvesse a chance dele ouvir do outro lado da cidade. O celular continuava vibrando... Era ele querendo conversar. Ela saiu enrolada da toalha e tentou sentir paz, mas o fim ainda pesava bem no fundo da alma. Foi para a sacada do apartamento e fechou os olhos. O celular parou de vibrar. Lágrimas saiam pelos olhos enquanto ela observava o pôr-do-sol. Seria difícil recomeçar, difícil demais...
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Fim do dia sem ela. Fim da vida com ela.
A marca de batom em uma xícara ainda estava lá, o cheiro de incenso no quarto também. Um livro de romance trágico estava jogado na mesa da sala. Uma escova de dentes permanecia em cima da bancada do banheiro e ao lado, ainda havia um batom vermelho. A chaleira já não estava apitando, mas estava em cima do fogão, intacta. A janela estava um pouco aberta e a brisa leve estava balançando um mensageiro dos ventos. A brisa havia chegado depois do furacão. No som da sala, tocava Beatles baixinho. Yesterday all my troubles seemd so far away... Um vestido florido ainda estava esquecido no primeiro cabide do guarda-roupa. Um bonito sapato estava embaixo da cama. O violão com uma corda arrebentada estava tristonho no canto do quarto. Na lavanderia, ainda haviam toalhas e lençóis usados por dois que — agora — um teria de lavar sozinho. Um bilhete na última gaveta da mesa do quarto ainda guardava palavras de amor-eterno. Mas na primeira gaveta, havia uma carta de adeus: Desculpe-mas-eu-tenho-que-ir. Em uma caixa minúscula da mesma mesa, havia um anel de ouro e um colar, a carta explicava: fique-com-isso-venda-ou-guarde-para-se-lembrar-de-mim. Ela ainda tivera a ousadia de pedir para que ele se lembrasse dela, talvez todas aqueles detalhes jogados pelo apartamento eram propositais: não-se-esqueça-de-mim-eu-não-me-esqueço-de-você-mas-me-desculpe. Um urso de pelúcia que antes se chamava Gian, estava atrás da porta do quarto e agora iria se chamar Ninguém. E Ninguém queria vê-lo feliz. Pensamento irônico. A colcha de retalhos estava bagunçada sobre a cama. O pôr-do-sol estava chegando. Mas, calma, o pôr-do-sol nada tinha a ver com ela, tinha? Oras, claro que tinha. O pôr-do-sol, o nascer e todos os outros fenômenos ao seu redor. Seria difícil esquecer... Difícil demais.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Amor e insanidade.
Uma tragada no cigarro. Uma golada no café. Duas goladas no café. Duas tragadas no cigarro. O mundo girava devagar enquanto ela observava pela janela do seu apartamento. "O que estava em jogo era a minha sanidade", ela pensou suspirando, "e eu perdi, cacete, eu perdi". Realmente, ela havia perdido. A sanidade que ela tanto valorizava, havia escorrido ralo abaixo. Bastou sentar-se na mesa de uma cafeteria às 3 da tarde de uma quinta-feira e bater os olhos em um rapaz. Ele viu que ela o observava e sentou-se perto. Assuntos infinitos, gostos em comum: café, cigarro, livros e melancolia. Trocaram telefones, mas ela se arrependeu assim que o fez. Depois de tanto pensar, ela percebeu que era um teste e ela queria provar que ganharia. Nunca acreditavam quando ela dizia que possuia células de defesa contra o amor e ela queria provar que tinha. Doce ilusão... E foi assim o início do fim da sua lucidez. Enquanto ela se lembrava de detalhes da história, continuava pensando: "Eu perdi, meu Deus do céu, o que foi que aconteceu comigo?".
Depois da troca de telefones, assim que ela entrou em seu carro para voltar para o trabalho, o celular vibrou com uma mensagem que dizia: "Adorei te conhecer, menina dos olhos profundos". Até aí tudo bem. Ela ignorou a mensagem e se esqueceu em segundos daquilo. Dirigiu em paz para o trabalho e não sabia que um furacão estava chegando. Mesmo sendo ignorado, ele continuou procurando por ela até que ela cedeu. Foram ao cinema e ele pegou a mão dela delicadamente várias vezes. E os dias seguintes foram de muitos encontros e reencontros. O auto-controle diminuia quando crescia a vontade de vê-lo. Telefone: alô-vem-me-ver. Mensagem: obrigada-por-hoje. Depois de alguns meses, ela tinha certeza que havia perdido. A bandeira branca estava levantada para quem quisesse ver.
Seus pensamentos foram interrompidos por um barulho de chave na porta da sala. Ela girou os olhos sorrindo e deixou o cigarro no cinzeiro da sacada. Levantou-se lentamente e mordeu o lábio inferior pensando ainda: "Eu perdi, o amor ganhou".
"Amor? Cheguei", a voz masculina chamou e os olhos do rapaz se encontraram com o dela. Ambos sorriram simultaneamente. Ele desabotou os primeiros botões da blusa enquanto andava na direção dela. Não hesitou e lhe apertou com força contra si, dando-lhe um beijo terno. E depois murmurou deliciado... "Hum, adoro quando você tem esse gosto de café".
"Ainda bem que eu perdi...", ela pensava enquanto o puxava para mais um beijo sorrindo e desabotoando os botões que faltavam. Aquela era sua vida agora: com ele naquele apartamento. Ela agradecia todos os dias por ter perdido a sanidade e por ter ganhado o amor. "Eu perdi, amor, mas eu te ganhei", ela sussurrou com a voz falha e trêmula. Ele sabia do que ela estava falando e lhe respondeu com um sorriso torto. Foi o bastante.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Eu que não amo você.
Não, eu não te amo mais. Eu te amei por cerca de oitocentos dias, eu tenho certeza que sim, mas isso passou. Está lá atrás, jogado no meio da estrada. A bagagem estava pesada demais e você não queria me ajudar a segurar, tive que jogar ao vento. Eu não penso mais em você, lembro de você de vez em quando, mas desde o dia que eu não acordei pensando em você, todos os dias seguintes foram lotados de pensamentos variados pela manhã. E o principal sempre foi: que-dia-bonito. Acredita? Pois é, pois é. O mundo gira, amor. Eu não olho mais para os outros caras imaginando seu rosto e nem consigo mais ficar procurando semelhanças entre eles e você, não tenho mais paciência. Eu não os acho mais interessantes que você, nisso eles ainda perdem, mas eles possuem algumas coisas que você não tem: carne e osso ao alcance das mãos, por exemplo... Eu posso abraçá-los se eu quiser. Você foi apenas a utopia mais bonita que existiu dentro de mim. Você foi o incêndio, a fumaça e o tempo foi o vento que te levou pra sei-lá-onde.
Não estou querendo fazer jogo duro e dizer tudo isso para me sentir a pessoa mais forte do mundo. Eu só quero mostrar que tenho certeza que não te amo mais. Meu coração não dispara, não dói. Nada. Mas apesar de não te amar nem um pouquinho mais, no dia do seu aniversário o meu teto desabou. Não entendi o que aconteceu, mas eu chorei tudo que não chorei nos últimos meses. Se eu fosse louca, eu teria pegado um avião só para te ver e ver se a agonia passava. Acho que sem querer me dei um choque de realidade e percebi que com a falta do meu amor por você, veio a falta de nós dois. Na minha mente, eu achava que eu e você seríamos sempre nós-dois apesar de todo resto, mas não é bem assim. Você ainda diz que eu sou linda, você ainda sabe que tudo que eu te falo é do coração — porque é —, mas não existe aquele brilho mais. E esse choque, me fez te olhar com os olhos marejados por oitenta minutos e parece que eu revivi os oitocentos dias que eu te amei. E apesar de não te amar mais, eu te amei de novo. Eu te amei por tudo que fomos e chorei por tudo que não somos mais.
O que eu senti no dia do seu aniversário de vinte anos foi a pior sensação dos últimos tempos. A minha boca ficou seca e se alguém aqui em casa fumasse, eu teria roubado um cigarro. Eu nem gosto de fumar, mas me veio na cabeça que aquilo aliviaria a minha tensão. Meus olhos ardiam se uma lágrima caia, mas eu me torturava e deixava cair, deixava escorrer até secar. Eu pensei em ficar bêbada, pegar aquele conhaque pela metade ali da sala e beber de uma vez só, para te explicar com uma voz erolada esse ciclo unilateral que você nem percebe ou se percebe finge que não percebe. Mas eu não fiz nada.... Porque era segunda-feira, dez da noite e eu estava cansada. Só entendi ao deitar a cabeça no travesseiro que eu posso deixar de te amar, mas o amor nunca vai morrer. Acabou a nossa história, mas não quero um cigarro, não quero um conhaque e não quero você, te guardo no canto mais quente do meu peito só para te lembrar de vez em quando.
Não estou querendo fazer jogo duro e dizer tudo isso para me sentir a pessoa mais forte do mundo. Eu só quero mostrar que tenho certeza que não te amo mais. Meu coração não dispara, não dói. Nada. Mas apesar de não te amar nem um pouquinho mais, no dia do seu aniversário o meu teto desabou. Não entendi o que aconteceu, mas eu chorei tudo que não chorei nos últimos meses. Se eu fosse louca, eu teria pegado um avião só para te ver e ver se a agonia passava. Acho que sem querer me dei um choque de realidade e percebi que com a falta do meu amor por você, veio a falta de nós dois. Na minha mente, eu achava que eu e você seríamos sempre nós-dois apesar de todo resto, mas não é bem assim. Você ainda diz que eu sou linda, você ainda sabe que tudo que eu te falo é do coração — porque é —, mas não existe aquele brilho mais. E esse choque, me fez te olhar com os olhos marejados por oitenta minutos e parece que eu revivi os oitocentos dias que eu te amei. E apesar de não te amar mais, eu te amei de novo. Eu te amei por tudo que fomos e chorei por tudo que não somos mais.
O que eu senti no dia do seu aniversário de vinte anos foi a pior sensação dos últimos tempos. A minha boca ficou seca e se alguém aqui em casa fumasse, eu teria roubado um cigarro. Eu nem gosto de fumar, mas me veio na cabeça que aquilo aliviaria a minha tensão. Meus olhos ardiam se uma lágrima caia, mas eu me torturava e deixava cair, deixava escorrer até secar. Eu pensei em ficar bêbada, pegar aquele conhaque pela metade ali da sala e beber de uma vez só, para te explicar com uma voz erolada esse ciclo unilateral que você nem percebe ou se percebe finge que não percebe. Mas eu não fiz nada.... Porque era segunda-feira, dez da noite e eu estava cansada. Só entendi ao deitar a cabeça no travesseiro que eu posso deixar de te amar, mas o amor nunca vai morrer. Acabou a nossa história, mas não quero um cigarro, não quero um conhaque e não quero você, te guardo no canto mais quente do meu peito só para te lembrar de vez em quando.
sábado, 20 de agosto de 2011
Lembra?
A noite havia sido ótima... Pra você. Eu te encontrei no bar, você estava com seus amigos e sorriu pra mim. Depois de alguns copos de cerveja, você veio me falar "Oi" de perto: dois beijinhos no rosto. Depois de mais alguns copos, você veio e me contou muitas histórias da sua vida maravilhosa, histórias que não me incluiam. Eu ria e inventava algo interessante da minha vida também. Seus amigos foram embora e minhas amigas também: ficamos só nós dois. Era tarde da noite e você pediu para ir para minha casa, eu te olhei com uma interrogação no rosto e você falou meio enrolado que só queria um lugar para dormir. Com muito custo, você colocou seu braço ao meu redor e eu te coloquei no meu carro. Você tentou passar a mão na minha perna enquanto eu dirigia e eu ameacei te jogar pra fora, você gargalhou e eu liguei o rádio. Give me everything tonight... Você resmungou que odiava música eletrônica e me lembrou do dia em que nós dançamos "abraçadinhos" uma música dos Los Hermanos. Eu disse que nem me lembrava e ficamos em silêncio até chegar na minha casa. Você fedia álcool e eu lembrei de como você era antes... Você cheirava perfume, era diferente. Mas você havia mudado, tudo havia mudado.
Depois de subirmos as escadas, com muito custo eu te coloquei no sofá e fui preparar uma xícara de chá pra mim. Demorei cinco minutos na cozinha e quando voltei, você estava dormindo um sono mais pesado do que o de um urso polar hibernando. Fiquei te olhando dormir, foi inevitável. Meu chá ia acabando e eu não me cansava de te olhar... Liguei o som baixinho e Adele cantava. Ah... Eu coloquei a xícara em cima da mesinha de centro e sentei no chão ao seu lado. Por que havia acabado, meu Deus? Por que não podíamos simplesmente tornar o difícil mais fácil e conviver com as nossas diferenças em paz? Hesitei um pouco, mas o ritmo da música me fez esticar os dedos para tocar seu rosto de leve. Quem eu estava tentando enganar? Era daquela noite que eu precisava para ter certeza que meu amor por você não tinha acabado com o fim do nosso relacionamento, pelo contrário. Don't you remember the reason you loved me before? Adele perguntou e eu perguntei baixinho também. Baby, please remember me once more... Você era o cara mais cafajeste do mundo, mas era o mais incrível. Meus olhos se encheram de lágrima. Ninguém conseguia ser tão engraçado e tão culto como você. Será que por trás de toda aquela casca você ainda sentia algo por mim? Tirei a mão do seu rosto finalmente e você suspirou... Eu havia te acordado. Você abriu os olhos devagar e depois abriu um sorriso, mas fechou a cara ao ver que eu estava limpando uma lágrima. Adele ainda cantava...
— Que foi?
— Essa música me emociona.
— Só isso?
— Só.
Ficamos em silêncio, você fechou os olhos de novo e Adele repitia: baby please remember me once more. When will I see you again? Você abriu os olhos repentinamente e pegou minha mão de forma carinhosa. Piscou várias vezes enquanto me encarava. E aí você falou...
— Eu nunca esqueci.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Desce aqui.
O telefone tocava e tocava e tocava. Eu só suspirava e insistia para que parasse antes que eu me rendesse. Mas ele era insistente... Ligou umas cinco vezes e na sexta eu resolvi atender. Eu não estava com vontade de olhar pra sua cara, mas acho que escutar sua voz não teria problema. Ai, doce ilusão.
— Alô? — Ele disse como quem não queria nada, mas eu sabia que queria muito. Queria tudo.
— O que você quer? — Mostrei minha resistência e ele soltou um suspiro misturado com um riso contido. Meu coração se apertou de irritação.
— Queria saber se você quer tomar um ar, ficar presa nesse apartamento se escondendo de mim não vai te levar a lugar nenhum, sabia? — Sua voz era divertida e eu teria rido se não estivesse tão cheteada.
— Quem te disse que eu estou presa no meu apartamento? Eu sai hoje... — Menti muito bem, eu acho.
— Quem te disse que eu estou presa no meu apartamento? Eu sai hoje... — Menti muito bem, eu acho.
— Não venha mentir para mim, eu te conheço bem e sei que está mentindo. — A voz dele ficou rouca e uma onda elétrica passou pela minha espinha.
— Por que você faz isso? Sério, me resp... — Antes que eu continuasse, ele me interrompeu.
— Além do mais, eu estou te observando. — Ele suspirou novamente. — Faço o que, menina?
— Além do mais, eu estou te observando. — Ele suspirou novamente. — Faço o que, menina?
— Isso. Como assim você está me observando? — Corri para a janela do meu quarto e olhei para a rua. Bingo. — O que seu carro está fazendo aqui na porta?
— Você não viu? Estou aqui desde ontem. Só sai para ir na padaria hoje cedo... Por isso que eu soube que estava mentindo. — Ele abriu a porta do carro e se colocou em pé do lado de fora. Esticou seus braços e acenou para mim. Eu estava escondida atrás da cortina, mas ele sabia que eu estava olhando. — Retribui meu aceno, um ato de educação faz bem, às vezes... — Eu acenei pra ele e pensei em mostrar o dedo do meio, mas desisti.
— Você não viu? Estou aqui desde ontem. Só sai para ir na padaria hoje cedo... Por isso que eu soube que estava mentindo. — Ele abriu a porta do carro e se colocou em pé do lado de fora. Esticou seus braços e acenou para mim. Eu estava escondida atrás da cortina, mas ele sabia que eu estava olhando. — Retribui meu aceno, um ato de educação faz bem, às vezes... — Eu acenei pra ele e pensei em mostrar o dedo do meio, mas desisti.
— Você deve estar drogado, mandei você parar de cheirar farinha. — Fiz uma piada ruim, mas ele soltou uma risada absurdamente alta. Não sabia se ouvi o som chegar pelo lado de fora ou pelo celular, pelos dois talvez. Como que eu cogitei ficar sem aquela risada?
— Eu não estou drogado, estou apaixonado. — Silêncio. Silêncio. Ele continuou. — Eu não queria ter te magoado na festa ontem, eu não queria ter feito um monte de coisas. Mas fiz. Pra te provocar, talvez? Não sei. Mas te peço desculpas.
— Eu não estou drogado, estou apaixonado. — Silêncio. Silêncio. Ele continuou. — Eu não queria ter te magoado na festa ontem, eu não queria ter feito um monte de coisas. Mas fiz. Pra te provocar, talvez? Não sei. Mas te peço desculpas.
— Você é patético.
— Você é linda.
— Que raiva...
— Te amo.
— Meu Deus, como você faz isso?
— Desce aqui que eu te conto.
— Você é linda.
— Que raiva...
— Te amo.
— Meu Deus, como você faz isso?
— Desce aqui que eu te conto.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Para outra menina com uma flor.
— Você tem um jeito diferente. — Ele repetiu pela décima quarta vez e ela só levantou uma das sobrancelhas, aprofundando ainda mais seu olhar no horizonte avistado pela janela do décimo quinto andar. — É sério, parece que eu te conheço de outros tempos.
— É? E por quê? — Ela parecia exausta.
— Você gosta de purê de batata, você come brigadeiro, você tem um Ursinho de pelúcia que é seu companheiro, você canta baixo e desafina ou você canta alto parecendo louca, depende do seu humor. — Ele sorriu enquanto colocava a mecha de cabelo caída atrás da orelha dela.
— Por que isso me tornaria uma pessoa diferente? — O olhar deixou de ser indiferença e passou a ser dúvida.
— Porque você faz com que eu me sinta como Vinícius de Moraes.
— Onde você quer chegar? Não entendi.
— Nunca leu aquele texto dele “Para uma menina com uma flor”? — Ele acendeu um cigarro e deu uma longa tragada.
— Nunca.
— Pois leia! Você é aquela menina que ele descreve.
— E eu ainda não entendi onde você quer chegar… Isso não me faz diferente de ninguém, nem daquela menina ali naquela janela. Por que eu sou diferente? — Ela coçou os olhos: sempre o fazia quando estava intrigada.
— Posso falar o que ele diz no final do texto? — Ela assentiu com a cabeça, ele suspirou e prosseguiu… — “Porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor”. Sei lá, eu sou confuso, mas você é a minha menina com uma flor e acho que ser isso pra alguém é grandioso.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Volta rapidinho.
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(Desculpem o sumiço, tempos corridos e inspiração baixa!)
(Desculpem o sumiço, tempos corridos e inspiração baixa!)
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Palavras e você.
Eu te juro que cansei de encostar numa caneta e já começar a escrever sobre você, já se tornou clichê demais ficar expondo e rasgando esses papéis. Antes de dormir, você acredita que eu não consigo dormir sem antes escrever alguma coisa pra você? Alguma coisa que eu rasgo logo pela manhã. Já parece até algum ritual necessário para que eu possa fazer minhas orações em paz e enfim, deitar a cabeça no travesseiro.
Eu tenho, sim, que escrever sobre essa saudade maldita que fica pisando no meu coração - ela é gigante e eu sou tão miúda -, essa saudade insuportável por ficar alguns dias sem falar com você. Mas não é só disso a minha saudade, a minha saudade também é a falta que me faz a época em que você também sentia essa necessidade absurda de falar comigo, nem que fosse só para vir me mandar um 'boa noite' ou me contar que sua mãe havia comprado pizza. Era algo tão natural e foram essas naturalidades que fizeram que eu me apaixonasse por você, essas pequenices tão idiotas aos olhos dos outros e que me fazem tanta falta. E o mais irônico é que as pequenices fizeram com que eu me apaixonasse por você, mas esse sumiço leve de tudo, não chega nem perto de ser um motivo sensato para que eu queira te tirar daqui do peito. E eu sei que posso estar errada por isso.
Era tão bom acordar com uma mensagem sua e te agradecer por ter me acordado porque eu tinha um compromisso super-importante, era ótimo ouvir você rindo do outro lado da linha e sentir meu peito aquecer quando você me pedia para me ligar e eu sempre pensava: oras, pra quê pedir, menino bobo? Bobo, você sempre foi bobo. Você escovava os dentes e me perguntava se estava bom, você bagunçava o cabelo para parecer aquele cientista que põe a língua pra fora, você tomava choques na raquete elétrica e eu quase rolava de rir. E aquele dia que você me mandou uma mensagem em que você só falava que tinha cheirado cloro e estava morrendo? Eu não sabia se acreditava e ficava desesperada ou se eu gargalhava - óbvio que eu gargalhei. Você me mandava mensagens pedindo para que eu fosse pro seu lado para ver as coisas que você me contava e se eu pudesse, eu teria ido para nunca mais voltar. Você falava que surpreenderia todo mundo um dia ao aparecer ali na porta do meu prédio gritando meu nome e desde esse dia, eu espero mesmo que você apareça. Mas você não veio. Você ainda vem?
Vê se entende que eu preciso de você. Eu sei que é patético, mas é amor. Você não tem noção dessa imensidão de tudo e talvez nunca terá porque eu tenho a intenção de falar, a necessidade de falar, mas nada sai e eu acredito que as outras pessoas nunca entendem verdadeiramente o que se passa dentro da gente. E você não entende mesmo, nem que eu te peça para entender e nem que eu tente te falar algo: você não vai entender. Mas mesmo sem entender, eu te peço - do fundo do meu coração - que você prove com suas atitudes bobalhonas aquilo que você me disse há uns dias atrás: "Nada vai mudar nunca" e todo o resto. Por favor, faz meu coração parar de doer, eu sei que você consegue. Eu estou quietinha aqui, esperando você vir até mim e me dizer que está com saudade. Não deixa tudo aquilo se perder.
Esse texto era pra reclamar do tanto que eu escrevo sobre você e olha que irônico, mais uma vez eu escrevi sobre você. Só que agora lá vai um último fato: as palavras que eu escrevo têm sim que estar vinculadas ao seu nome da mesma forma que os meus pensamentos estão. E eu reclamo de escrever sobre você, mas é o meu único alívio pra toda a intensidade que me acompanha - mesmo que seja um alívio instantâneo.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Para sua ex-paixão.
G.,
Você foi meu primeiro amor e é pra você que eu quero escrever; quando eu falo primeiro amor, eu quero dizer primeiro relacionamento e meu relacionamento mais duradouro até hoje. Já fazem quatro anos, cara, você tem noção do que são quatro anos? Quatro anos que eu te vi naquela festa e começou a enrolação de pensamentos. Quatro anos que eu estava lendo um livro qualquer na biblioteca da escola, você chegou, sentou ao meu lado, me levou para andar e nasceu um sentimento puro e verdadeiro depois de um beijo.
Eu sentia coisas inexplicáveis por você e talvez, você não tinha e nem tenha noção de tudo aquilo. Se eu tentava falar algo, minhas bochechas rosavam e eu não conseguia dizer nada. Mas cada segundo ao seu lado foi aproveitado e você me fez um bem imenso. Fosse por um beijo, uma mensagem, um telefonema, brincadeiras na webcam, telefonemas na madrugada, idas ao cinema, idas ao bar, uma brincadeira, um abraço quando eu estava chorando, o roubo das suas blusas de frio só para ficar sentindo aquele seu perfume que me fazia bem.
Você esteve presente em um dos momentos mais difíceis da minha vida que foi a separação dos meus pais e isso é algo que me faz lembrar de você com um sorriso enorme no rosto porque na semana em que eu recebi a notícia e estava chorando muito no colégio, você viu aquilo e me olhou com um olhar reconfortante e por dez minutos me abraçou, me pedindo para não ficar daquele jeito e me dizendo para encontrar você depois da aula para a gente conversar. E nós conversamos e você me arrancou sorrisos - o que ninguém estava conseguindo.
É claro que você me fez sofrer depois daquela manhã de outubro em que você conversou comigo e no final disse um fica-bem e me deu um beijo na testa e ofereceu sua coca-cola. Eu chorei oceanos por pensar nas muitas coisas que nós estaríamos perdendo e nas que eu não poderia te oferecer mais, eu queria te pedir para ficar, mas a Tati Bernardi repetiu por meses para mim "mas-amor-não-se-pede" e eu só chorava em silêncio rezando para aquela dor passar e para que eu parasse de te amar tanto.
Hoje, me vendo bem mais amadurecida, eu vejo o tanto que eu te amei, vejo o tanto que eu sofri, mas sabe o que mais eu vejo? A imensidão de um carinho dentro de mim, uma sensação de eternidade. Nenhum disparar no coração quando eu te reencontro e trocamos algumas poucas palavras, nenhuma mão suando frio quando nós nos dizemos 'oi' ao nos esbarrarmos pelos corredores da faculdade, nada nada. É só uma certeza de te olhar e lembrar do meu primeiro grande amor, sorrir e pensar com bastante força: "eu espero que você esteja feliz". E eu te desejo, sim, do fundo do meu coração, toda a felicidade do mundo,
É isso,
daquela que um dia foi a Bubaix.
É claro que você me fez sofrer depois daquela manhã de outubro em que você conversou comigo e no final disse um fica-bem e me deu um beijo na testa e ofereceu sua coca-cola. Eu chorei oceanos por pensar nas muitas coisas que nós estaríamos perdendo e nas que eu não poderia te oferecer mais, eu queria te pedir para ficar, mas a Tati Bernardi repetiu por meses para mim "mas-amor-não-se-pede" e eu só chorava em silêncio rezando para aquela dor passar e para que eu parasse de te amar tanto.
Hoje, me vendo bem mais amadurecida, eu vejo o tanto que eu te amei, vejo o tanto que eu sofri, mas sabe o que mais eu vejo? A imensidão de um carinho dentro de mim, uma sensação de eternidade. Nenhum disparar no coração quando eu te reencontro e trocamos algumas poucas palavras, nenhuma mão suando frio quando nós nos dizemos 'oi' ao nos esbarrarmos pelos corredores da faculdade, nada nada. É só uma certeza de te olhar e lembrar do meu primeiro grande amor, sorrir e pensar com bastante força: "eu espero que você esteja feliz". E eu te desejo, sim, do fundo do meu coração, toda a felicidade do mundo,
É isso,
daquela que um dia foi a Bubaix.
Sétima carta de 30.
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