Você está comigo há tempos, você está comigo mesmo quando não quer estar e mesmo parecendo não se importar mais, você continua ao meu lado. Uma vez eu te disse que você era meu melhor amigo. Sim, eu disse: "Você era o meu melhor amigo". E você se sentiu ofendido com essas palavras, você me olhou chateado e repetiu: "Era?". E tudo que eu fiz foi assentir com a cabeça enquanto pensava nas milhares de razões para esse meu pensamento, para essa minha fala que te chateou. Mas será que você imagina o quanto que me chateou quando você chegou de viagem, combinou de me ver e foi embora sem nem ao menos me mandar uma mensagem avisando? Será que você imagina o quanto me chateou quando você esqueceu do meu aniversário no ano passado e quando você não me deu os parabéns novamente nesse ano? Você também não sabe como me chateia quando você faz algo errado e é orgulhoso demais para me pedir desculpas. Mas apesar de tudo, eu estou aqui e você está comigo - de alguma forma. Apesar de tudo eu ainda corro atrás e insisto em dizer que sua amizade é importante demais pra mim. Mas tudo que ronda minha cabeça nesse momento é a grande pergunta: até que ponto vale a pena tentar manter qualquer tipo de relação? Será que ainda vale a pena insistir sendo que a outra pessoa aparentemente está desistindo? Eu insisti muito apesar de tudo e meu amor por você é gigantesco, mas eu me amo mais e tudo que eu posso dizer é que depois de tanto... O próximo passo - se ele existir - quem tem que dar é você. Venha e me prove que a nossa amizade existe. Venha me falar coisas sem sentidos para me arrancar uma gargalhada. Venha me dar um abraço demorado porque meus braços ainda estão abertos pra você.
quinta-feira, 3 de março de 2011
terça-feira, 1 de março de 2011
A festa e o vazio.
As coisas não estavam nada fáceis e quando eu falo que nada está fácil é porque nada realmente está fácil. Eu estava desanimada, com alguns problemas em casa e queria muito esquecer tudo, sem fingimentos e sem máscaras. Ser eu mesma e devolver sorrisos sinceros. Pois bem. Teria uma festa naquele dia e minhas amigas, meus amigos e praticamente todos da minha cidade estavam combinando de ir. É claro que eu vou. Eu repeti para todo mundo que queria confirmar a minha presença. É claro que eu vou aproveitar. Eu repeti para mim mesma como se fosse uma regra, uma obrigação: seja feliz, Paula.
Algumas doses de cuba libre, alguns abraços sinceros, algumas frases bobas e companhias agradáveis. Eu percebi que eu estava feliz, deixei os problemas de casa aonde eles deveriam ficar e estava feliz. Fui passear sozinha pela festa, andei por todos os cantos sorrindo para os conhecidos e abraçando os mais chegados, até que no momento em que eu me distraí e parei de prestar atenção ao meu redor, eu trombei com um garoto. Não era um garoto qualquer, mas não era um garoto especial.
Era um garoto que eu havia encontrado algumas vezes por acaso e havíamos trocados palavras, trocado contatos e trocado beijos. Mas não era nada demais. Foram vezes e mais vezes de encontros rápidos pelas noites iluminadas por luzes dançantes. E lá estávamos nós novamente. Ele me sussurrou um "Oi", eu respondi com um "Oie" e sorri. Ele me disse que estava com saudades e que eu tinha sumido e tudo que eu consegui dizer foi: "Mentiroso" e pensar que ele não tinha mudado nada desde os últimos meses. Conversamos, desafiei ele a se lembrar de coisas que eu jurava que não se lembrava, ele me beijou de surpresa, ele me apresentou para um amigo, ele andou abraçado comigo, me deu beijos carinhosos e me fez sorrir.
Sem fingimentos, eu estava lá sorrindo. O carinho entre nós era claro para quem quisesse ver, mas todos poderiam ler em nossos rostos a seguinte afirmação: "Não sentimos nada um pelo outro". Era essa a grande verdade. Nenhum coração disparado, nenhuma confissão no escuro... Apenas aquele desejo incontrolável - que existe desde a primeira vez que nos vimos.
Eu aproveitei de maneira imensa a festa por sua causa, mas ele nem imagina como eu me senti quando ele se despediu de mim e disse: "Vê se não some, linda". Linda? Não sumir? A pessoa errada estava me dizendo tudo aquilo. E no caminho para casa, tudo o que eu conseguia pensar era em você que mora longe demais para me ver e que nem imagina que domina meus pensamentos dessa forma. Tudo o que eu senti foi uma sensação de vazio depois daquela euforia superficial por algumas horas, aquela tentativa de demonstração de que beijos sem amor são ótimos. Mas não! Não são ótimos. Eu cheguei em casa e tudo que eu soube fazer foi pensar em você, pensar em como você estava e se você estava pensando em mim. Relações passageiras tentam suprir a minha falta de uma relação de verdade - com você. Meu peito se esvaziou depois da festa, minha mente se encheu de você depois do vazio. A superficialidade me acompanhou durante a festa e os sentimentos mais profundos me acompanharam depois. Não está certo.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
I'm just a kid.
Eu não me considero forte o suficiente para essa inversão repentina de papéis. Em momentos como esse, tudo que eu faço é fechar os olhos e rezar e rezar.
"E se por acaso a dor chegar
Ao teu lado vão estar
Pra te acolher e te amparar
Pois não há nada como um lar"
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
E você?
Todos dizem que eu não devo confiar tanto nas pessoas, mas também me dizem que eu devo confiar nas pessoas. O que eu devo fazer então? Até que ponto pode ser bom pra mim guardar tudo isso dentro de mim sem deixar que ninguém saiba? Até que ponto eu estarei segura? Eu dou milhares de sorrisos e milhares de conselhos, mas no fim do dia meu coração dói e eu me encontro completamente sozinha. Eu pergunto se eles estão bem, eles me dizem que estão e perguntam: "e você?"... Mas tudo que eu sinto é que esse "e você?", é apenas uma forma educada e superficial de conversa. Só. E a minha dor não é superficial. Então, eu digo que está tudo bem. Deixo meu peito lotado de dor até ele explodir em lágrimas que eu - apenas eu - sinto, vejo e limpo.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Só me abraça.
Meu anseio de te abraçar é muito maior do que qualquer outro. É maior do que conversar e conversar olhando nos seus olhos, te beijar ou fazer piadas e ouvir as suas piadas... Meu anseio de te abraçar é muito maior porque abraços tem uma magia gigantesca. Fico imaginando que quando nós nos encontrarmos, eu vou te olhar por alguns segundos e depois darei o abraço mais longo de todos. Vou enroscar meus braços ao redor da sua nuca enquanto você vai enroscar os seus ao redor da minha cintura. Vou ficar na ponta dos pés para apoiar minha cabeça no seu ombro e você vai curvar seu corpo um pouco para frente para encostar a sua cabeça no meu ombro. Eu vou sorrir para o nada e você vai estar sorrindo também. Vou sugar todo o seu perfume enquanto passo os dedos de leve na sua nuca. Vou abrir a boca para dizer algo, mas nada vai sair. Vamos nos encaixar daquela forma por muito tempo, sem ligar para as pessoas que vêm e vão e que nos observam. E depois de um longo abraço, o que vier depois será igualmente lindo. Mas eu quero o abraço antes de tudo. Eu preciso do seu abraço. Do seu abraço. Do seu.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Amor mal resolvido.
Foi só a chuva chegar para que meu pensamento voltasse pra você, sem razão e sem mágoa. Lembrei e fiquei lembrando, sorrindo e forçando certas caretas ao lembrar de alguns vacilos - meus e seus. Quis pegar o telefone e te ligar para me desculpar pela minha parte, com uma pontinha de esperança que você fizesse o mesmo. Mas tudo que eu fiz foi esperar a chuva passar e começar a escrever esse texto, sabendo que você não verá e que acabou do jeito que acabou porque era a hora de acabar e não tínhamos tempo para consertar tudo. E deixo registrado aqui o meu pedido de desculpas, por ter sido algo tão complicado na sua vida, por ter te deixado maluco de ciúmes propositalmente, por ter insistido no "não" quando tudo que você queria era o "sim" e por ter te amado de uma maneira tão errada. Eu te amei sim e espero que você nunca duvide disso. Não guarde mágoa e nem rancor dessa nossa história que foi complicada em vários momentos, mas que foi linda e apaixonante em todos os outros. Desculpe por não estar falando na sua cara, mas tenho medo de você não me desculpar. Deixe suspenso no ar aquelas nossas últimas palavras: "é, eu fui bem feliz..." e vamos em frente. Você com aquela sua nova garota e eu com aquele novo garoto. Fomos bem felizes juntos e continuaremos sendo bem felizes, mas agora separados.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Mesmo triste sou feliz.
As pessoas vêem o que querem ver, elas me perguntam se eu estou bem, mas porque é um modo educado de iniciar uma boa conversa. Eu sei e elas também sabem que eu não vou sair gritando para ninguém que eu estou sentindo uma dor sufocante. Tudo que eu faço é sorrir, gargalhar, fazer piadas para quem está por perto e dizer que tudo está bem. Eu ouço os problemas dos outros e ajudo no máximo que posso, dou um abraço apertado e peço para eles ficarem calmos porque eu sei que tudo vai dar certo.
Não importa se o meu mundo está acabando, não importa se eu estou me sentindo a pessoa mais vulnerável do mundo... Quando eu coloco os pés para fora do quarto, para fora de casa, eu visto a minha gigantesca armadura. Mas quando eu volto pra cá e paro em frente ao espelho, meu reflexo sussurra: "Por que você está tentando enganar a si mesma?". Mas tudo que eu penso é: ninguém foi capaz de ver além da casca, ninguém foi capaz de reparar que as minhas feridas estão ardendo, ninguém foi capaz de me oferecer um ombro depois que eu soltei uma risada nervosa.
Não quero contagiar ninguém com a tristeza que me atinge de vez em quando, mas eu só queria alguém que reparasse de verdade em mim e soubesse que esse meu teatro é para me proteger, para proteger os outros. Meus sorrisos não são falsos e minha alegria exposta também não, são apenas escudos.
"Sorria, qual é a utilidade do choro?
Você vai descobrir que a vida ainda vale a pena...
Se você apenas sorrir." (Charles Chaplin)
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Yellow.
Eu fui em uma festa na casa de um amigo, já esperava que você fosse aparecer por lá porque ele também é seu amigo. Não havia chegado muita gente, mas você entrou pelo portão com sua nova namorada - falo nova porque é com ela que você está desde que nos separamos, apesar de isso ter acontecido há muito tempo. E eu não liguei, porque eu não ligo mais para você. E se você está feliz, está tudo 'ok', porque apesar de não ter nenhum sentimento por você, eu guardo um carinho antigo dentro de mim e torço pela sua felicidade - assim como eu te disse que torceria há anos atrás antes de virarmos as costas para nossa história.
Eu sei bem que a minha presença não a agrada muito e não vou negar que a presença dela também não me deixa muito entusiasmada. Nossos santos não bateram e o fato de que eu fiz parte do seu passado a deixa enciumada, eu entendo. Todos querem se sentir superiores quando observam seus ex's com novos amores, novas paixões... Comigo não foi diferente. Eu fiquei pela festa sussurrando para algumas pessoas: "Eu estou mais bonita do que ela?" e meus amigos diziam que era óbvio-que-sim e eu abria um sorriso, apesar de ter pensado que eles disseram aquilo só para me agradar.
Quando ela foi embora, eu fiquei feliz. Nós não precisávamos mais agir como se não nos conhecêssemos, então aí eu e você trocamos uma palavra ou outra depois disso, mas nada de importante. Até que eu decidi pular na piscina - com roupa e tudo. E para minha surpresa, enquanto eu nadava, tudo o que eu sentia era que você estava me olhando e quando eu virava rapidamente para verificar isso, você virava o rosto de uma vez para o lado oposto. Eu fiquei tentando entender o que estava passando pela sua cabeça ao me olhar tanto e tudo que eu tinha era um grande ponto de interrogação na minha mente. Seu olhar pesava contra minhas costas e era impossível negar que meu peito não se aqueceu um pouquinho com aquelas olhadas e que as "nossas músicas" não rodaram pela minha cabeça enquanto eu mergulhava - look at the stars, look how they shine for you. E isso não quer dizer nada, só quer dizer que o carinho antigo que eu sinto é eterno e é bom saber que lá no fundo, você também possa sentir o mesmo carinho antigo e eterno.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Acabou.
Enquanto brigávamos, ele me lembrava o quanto eu era indecisa e dizia que não sabia mais lidar com aquilo. Sendo que no início da nossa relação, tudo que ele dizia era que aceitava meus defeitos e os aceitaria para sempre. Ou meus defeitos ficaram maiores do que o suportável ou a visão de 'pra sempre' dele é muito diferente da minha. Para não ficar por baixo, eu o lembrava o quanto que ele era estúpido. Adjetivo que eu dava para ele quando ele me irritava por pegar muito na minha gordura a mais no canto da cintura, mas naquele momento, era de maneira séria.
As palavras saiam como cuspe da minha boca e saiam como tiro da boca dele. Não sei se doía mais nele, sentir os cuspes contra seu rosto limpo. Ou se doía mais em mim, sentir os tiros contra meu peito. Provavelmente, estávamos sentindo a mesma dor. Nós nos amávamos loucamente até algum tempo atrás e esse amor nasceu de um desejo intenso que surgiu assim que botamos os olhos um no outro. Mas no meio de tanta intensidade, o sofrimento passou a ser intenso também. A compatibilidade foi se esvaindo com o tempo, com o vento que estava cada vez mais forte. E lá estávamos nós brigando, ele me chamando de indecisa e eu o chamando de estúpido. "Acabou", foi o que falamos em uníssono, talvez fora o nosso último sinal de compatibilidade, o último suspiro antes da nossa morte.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Detector de mágoa.
Não sei o que acontece exatamente e nem o momento exato que acontece. Mas é assim: estamos super bem, tudo está uma maravilha, ele me liga só para dizer que eu deveria estar ao seu lado e eu solto uns suspiros bobos demais. Ele me manda uma mensagem as seis da manhã para me acordar para ver que dia lindo está nascendo e me deseja um dia lindo e tudo que eu consigo é pensar que ele é "lindo, lindo, lindo". Eu falo dele para as minhas amigas e elas não entendem como ele pode ser tão perfeito, eu também não entendo e fico encucada pensando que aquela perfeição possa ser passageira, mas aí me lembro que eu enxergo tanta perfeição há anos. Só que eu decubro que até o perfeito tem seus defeitos que me incomodam e depois de muitos "lindo, lindo, lindo", chegam os dias em que eu falo para minhas amigas com muitas lágrimas nos olhos que ele é um "idiota, idiota, idiota". Não foi carinhoso, não me ligou, não me mandou mensagem e justo quando eu estava naquela TPM absurdamente forte, aí eu decidi que o odiava e que não deveria mais falar com ele. E então o 'detector de mágoa' entrou novamente em ação... Depois de alguns dias que eu me afastei, ele me pediu desculpa, me disse milhões de coisa que fizeram meu coração disparar e voltou a ser meu "lindo, lindo, lindo".
É exatamente assim. Quando ele percebe que me magoou e que eu estou disposta a me afastar, ele rebobina a fita para aqueles primeiros momentos e me faz sentir o mesmo amor absurdo de antes. Não sei se é apenas porque ele percebe que me machucou e tenta se redimir, mas enquanto tudo volta ao normal, eu fico me perguntando: nessa sua cabecinha aí onde existe um detector para saber quando você me magoou, existe também um detector para você perceber que a sua amiga magoada aqui é completamente apaixonada por você há tempos?
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