segunda-feira, 27 de junho de 2011

Volta rapidinho.

 

Eu sei que é bobagem te escrever, mas o Sol está pra nascer e você está pulando de um pensamento meu para o outro. Tentei te transformar em poesia e guardar numa gaveta, mas sem querer derramei café em cima da folha e desisti dessa tática. Tática ruim, você deve estar pensando. E eu concordo com você, mas quem é especialista em táticas ruins mesmo? Eu. Já que a poesia passou longe de dar certo, estou só desabafando mesmo, mas agora a intenção não é te expulsar daqui. A intenção é só te sentir em mim, te sentir mais perto porque eu estou precisando de um pouquinho de paz e essa paz só você me dava ou me dá, sei lá. Nós ainda somos presente? Eu estava me perguntando isso hoje mais cedo e não surgiu resposta nenhuma na minha cabeça. Só sei que aqui dentro, bem fundo mesmo, tem uma coisa que me implora para te soltar logo e voar pra longe. Mas eu não dou conta! Se eu não estou te agarrando pela barra da calça, eu estou te olhando com os olhos marejados enquanto você vai ali — e volta rapidinho. E quando você fica fora por uns tempos e volta rapidinho, eu sinto uma urgência por você, como se eu tivesse morrido enquanto você estava fora e eu precisasse recuperar o ar logo. Sério mesmo. Mas sabe o que me dói? Saber que se eu quiser pegar minhas asas e voar pra longe — sem voltar rapidinho, igual você faz —, você não vai marejar os olhos e não vai tentar me segurar pela barra do vestido. E eu faço isso com você, sem pensar duas vezes. Faço e refaço. E  te chamo baixinho toda noite antes de dormir. E você vem. Não sei se isso é bom ou ruim, mas você vem. Nunca é pra ficar pra sempre, mas você vem.

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(Desculpem o sumiço, tempos corridos e inspiração baixa!)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Palavras e você.

Eu te juro que cansei de encostar numa caneta e já começar a escrever sobre você, já se tornou clichê demais ficar expondo e rasgando esses papéis. Antes de dormir, você acredita que eu não consigo dormir sem antes escrever alguma coisa pra você? Alguma coisa que eu rasgo logo pela manhã. Já parece até algum ritual necessário para que eu possa fazer minhas orações em paz e enfim, deitar a cabeça no travesseiro.

Eu tenho, sim, que escrever sobre essa saudade maldita que fica pisando no meu coração - ela é gigante e eu sou tão miúda -, essa saudade insuportável por ficar alguns dias sem falar com você. Mas não é só disso a minha saudade, a minha saudade também é a falta que me faz a época em que você também sentia essa necessidade absurda de falar comigo, nem que fosse só para vir me mandar um 'boa noite' ou me contar que sua mãe havia comprado pizza. Era algo tão natural e foram essas naturalidades que fizeram que eu me apaixonasse por você, essas pequenices tão idiotas aos olhos dos outros e que me fazem tanta falta. E o mais irônico é que as pequenices fizeram com que eu me apaixonasse por você, mas esse sumiço leve de tudo, não chega nem perto de ser um motivo sensato para que eu queira te tirar daqui do peito. E eu sei que posso estar errada por isso.

Era tão bom acordar com uma mensagem sua e te agradecer por ter me acordado porque eu tinha um compromisso super-importante, era ótimo ouvir você rindo do outro lado da linha e sentir meu peito aquecer quando você me pedia para me ligar e eu sempre pensava: oras, pra quê pedir, menino bobo? Bobo, você sempre foi bobo. Você escovava os dentes e me perguntava se estava bom, você bagunçava o cabelo para parecer aquele cientista que põe a língua pra fora, você tomava choques na raquete elétrica e eu quase rolava de rir. E aquele dia que você me mandou uma mensagem em que você só falava que tinha cheirado cloro e estava morrendo? Eu não sabia se acreditava e ficava desesperada ou se eu gargalhava - óbvio que eu gargalhei. Você me mandava mensagens pedindo para que eu fosse pro seu lado para ver as coisas que você me contava e se eu pudesse, eu teria ido para nunca mais voltar. Você falava que surpreenderia todo mundo um dia ao aparecer ali na porta do meu prédio gritando meu nome e desde esse dia, eu espero mesmo que você apareça. Mas você não veio. Você ainda vem?

Vê se entende que eu preciso de você. Eu sei que é patético, mas é amor. Você não tem noção dessa imensidão de tudo e talvez nunca terá porque eu tenho a intenção de falar, a necessidade de falar, mas nada sai e eu acredito que as outras pessoas nunca entendem verdadeiramente o que se passa dentro da gente. E você não entende mesmo, nem que eu te peça para entender e nem que eu tente te falar algo: você não vai entender. Mas mesmo sem entender, eu te peço - do fundo do meu coração - que você prove com suas atitudes bobalhonas aquilo que você me disse há uns dias atrás: "Nada vai mudar nunca" e todo o resto. Por favor, faz meu coração parar de doer, eu sei que você consegue. Eu estou quietinha aqui, esperando você vir até mim e me dizer que está com saudade. Não deixa tudo aquilo se perder.

Esse texto era pra reclamar do tanto que eu escrevo sobre você e olha que irônico, mais uma vez eu escrevi sobre você. Só que agora lá vai um último fato: as palavras que eu escrevo têm sim que estar vinculadas ao seu nome da mesma forma que os meus pensamentos estão. E eu reclamo de escrever sobre você, mas é o meu único alívio pra toda a intensidade que me acompanha - mesmo que seja um alívio instantâneo.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Para sua ex-paixão.

G.,

Você foi meu primeiro amor e é pra você que eu quero escrever; quando eu falo primeiro amor, eu quero dizer primeiro relacionamento e meu relacionamento mais duradouro até hoje. Já fazem quatro anos, cara, você tem noção do que são quatro anos? Quatro anos que eu te vi naquela festa e começou a enrolação de pensamentos. Quatro anos que eu estava lendo um livro qualquer na biblioteca da escola, você chegou, sentou ao meu lado, me levou para andar e nasceu um sentimento puro e verdadeiro depois de um beijo.

Eu sentia coisas inexplicáveis por você e talvez, você não tinha e nem tenha noção de tudo aquilo. Se eu tentava falar algo, minhas bochechas rosavam e eu não conseguia dizer nada. Mas cada segundo ao seu lado foi aproveitado e você me fez um bem imenso. Fosse por um beijo, uma mensagem, um telefonema, brincadeiras na webcam, telefonemas na madrugada, idas ao cinema, idas ao bar,  uma brincadeira, um abraço quando eu estava chorando, o roubo das suas blusas de frio só para ficar sentindo aquele seu perfume que me fazia bem.

Você esteve presente em um dos momentos mais difíceis da minha vida que foi a separação dos meus pais e isso é algo que me faz lembrar de você com um sorriso enorme no rosto porque na semana em que eu recebi a notícia e estava chorando muito no colégio, você viu aquilo e me olhou com um olhar reconfortante e por dez minutos me abraçou, me pedindo para não ficar daquele jeito e me dizendo para encontrar você depois da aula para a gente conversar. E nós conversamos e você me arrancou sorrisos - o que ninguém estava conseguindo.

É claro que você me fez sofrer depois daquela manhã de outubro em que você conversou comigo e no final disse um fica-bem e me deu um beijo na testa e ofereceu sua coca-cola. Eu chorei oceanos por pensar nas muitas coisas que nós estaríamos perdendo e nas que eu não poderia te oferecer mais, eu queria te pedir para ficar, mas a Tati Bernardi repetiu por meses para mim "mas-amor-não-se-pede" e eu só chorava em silêncio rezando para aquela dor passar e para que eu parasse de te amar tanto.

Hoje, me vendo bem mais amadurecida, eu vejo o tanto que eu te amei, vejo o tanto que eu sofri, mas sabe o que mais eu vejo? A imensidão de um carinho dentro de mim, uma sensação de eternidade. Nenhum disparar no coração quando eu te reencontro e trocamos algumas poucas palavras, nenhuma mão suando frio quando nós nos dizemos 'oi' ao nos esbarrarmos pelos corredores da faculdade, nada nada. É só uma certeza de te olhar e lembrar do meu primeiro grande amor, sorrir e pensar com bastante força: "eu espero que você esteja feliz". E eu te desejo, sim, do fundo do meu coração, toda a felicidade do mundo,

É isso,
daquela que um dia foi a Bubaix.

Sétima carta de 30.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Para um estranho.

Hello, stranger.

Desculpa esse trocadilho com o filme Closer, mas quando eu ouço a palavra "estranho", essa fala me vem à cabeça. Ei, espera, é pra você mesmo que eu estou escrevendo essa carta, não pensa que eu sou louca ou algo do tipo, eu só quero falar com um estranho. Mas falar o que? É, isso eu também não sei. Eu poderia começar me apresentando e pedir para que você se apresentasse também, mas aí nós não seríamos mais estranhos, não é? E a finalidade dessa carta é enviá-la para um estranho. 

O mais estranho da palavra "estranho" - outro trocadilho horrível, me desculpe - é que você tem uma vida que eu não tenho noção de como é e talvez nunca terei. Não sei como você é fisicamente, nem como você é emocionalmente, não sei de seus amigos e nem de seus familiares, não sei de suas notas escolares, nem do seu emprego ou da sua faculdade, não sei se você já se apaixonou ou se está apaixonado. Não sei nada e mesmo assim, enquanto você lia isso, você provavelmente pensou em tudo isso, não é? Eu também pensei nas minhas coisas. E nossos pensamentos são sobre as mesmas coisas, mas tenho certeza que são pensamentos completamente diferentes. Muitas vezes na vida, nós encontramos pessoas com as quais nós nos identificamos em alguns aspectos, mas nenhuma vida é idêntica à outra e eu não sei se a sua vida se parece em algum aspecto com a minha, mas eu quero te dizer algumas coisas... 

Você, assim como qualquer outro estranho que vá ler essa carta, merece toda a felicidade do mundo. Você tem que se esforçar para ser uma boa pessoa, eu sei, porque em um mundo em que a falsidade e a hipocrisia dominam, temos que ser fortes para suportar isso com um sorriso verdadeiro no rosto, mas saiba que isso não é em vão: essas pessoas de sorriso limpo e puro são as mais admiráveis e eu sei que você é assim e por isso eu te admiro, mesmo sem te conhecer. Todos temos dias ruins e eu não sei se hoje é um dia desses para você, mas quando aquela onda de azar, de estresse, de tristeza ou de raiva passar por você, lembre-se dos mil e um milhões de motivos que você tem para ser feliz. Seja feliz, estranho. Lute pelos seus sonhos, pela sua carreira. Ame de verdade e com todo seu coração! E se sofrer - o que provavelmente vai acontecer - limpe essas lágrimas e vai rir com seus amigos até um novo amor pintar - sempre pinta. 

Somos estranhos, eu sei. E eu não soube direito o que falar, mas se você está lendo isso e está querendo alguém para conversar e quer deixar de ser estranho para mim, bem, pode ter certeza que eu também quero isso, 

Tudo de bom para você, de verdade,
de uma estranha qualquer.


Sexta carta de 30.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Para os seus sonhos.

Amados sonhos,

Vocês são tantos que nem compensaria descrever cada um aqui nessa carta, não vou expô-los ao mundo, podem ficar tranquilos. Vocês constituem quase cem por cento do meu ser e isso é inegável. Sempre que possível, eu estou olhando para o horizonte, para o teto do meu quarto ou para qualquer outro ponto fixo, só pensando na minha tão sonhada realização de pelo menos metade de vocês. Sonhos, sonhos...

Muitas pessoas julgam desnecessário essa necessidade que eu tenho de sonhar, juram que eu tenho que olhar com olhos mais realistas para o mundo e parar de acreditar em algumas coisas chamadas de utópicas para eles. Bom, eu olho com olhos realistas para o mundo, mas de que adiantaria eu sofrer tanto por uma realidade sofrida que me cerca? Não adiantaria nada  e por isso vocês, meus amados, existem. Quando eu estou desiludida, eu começo a sonhar e o sofrimento se transforma em esperança. É disso que vocês são feitos: de esperança. 

Eu sei também que não posso me sustentar apenas em vocês, entrar em um mundo onde seremos só nós e me esquecer do mundo real, eu sei que não. Mas eu acredito numa coisa chamada força e em outra chamada fé, que além da esperança é aquilo que os acompanham dentro de mim. Se eu sonho é porque eu tenho em mente que eu tenho capacidade e força o suficiente para ir atrás e tentar realizar. Não vou ficar parada esperando que vocês venham até mim: vocês são um pouco teimosos, eu sei.

Vocês tornam o final do meu dia - aquele momento em que eu deito a cabeça no travesseiro - bem menos pesado, bem menos cansativo porque vocês inundam meus pensamentos com atitudes que eu posso tomar para chegar até vocês. É um ciclo infinito. Eu acredito em vocês e em mim, acredito que se eu pegar na mão da coragem, abraçar a força, seguir a fé e tudo mais, eu acredito que em breve, estaremos juntos rindo dessas pessoas que não conseguem lutar por um sonho.

Eu sou capaz e em breve, eu espero que vocês deixem de ser sonhos e se tornem realidade!

Com amor,
Paula

ps: eu sei que, infelizmente, alguns de vocês vão morrer e alguns de vocês vão sumir de vista e isso vai me desanimar um pouco... mas nunca me desanimará totalmente, podem ficar tranquilos.

Lá se foi a quinta carta das 30 que eu publicarei.

domingo, 24 de abril de 2011

Para o seu irmão ou irmã.

Tosca,

Nessa foto está você, me segurando no momento em que eu cheguei do hospital. Não dúvido nada que você tenha ficado cheia de ciúmes por não ser mais a filha única, mas eu também não tenho dúvidas que desde esse momento, você me amou e mesmo nem abrindo os olhos direito nesse momento, eu já te amei também. Tem uma frase que muitas pessoas dizem que fala que nossos irmãos são nossa única fonte do passado e aqueles que nunca nos deixarão no futuro e isso é a mais pura verdade. Pra escrever sua carta, eu não posso começar falando: "lembra quando a gente se conheceu?", porque nós não lembramos, porque eu te conheci quando eu nasci e você me conheceu com seus meros três aninhos.

Desde sempre, somos unidas. Unha e carne. Claro que tem aqueles momentos em que a unha quebra ou que sai uma lasquinha da carne e aí sangra, mas cicatriza. Ainda crianças, nós pintávamos juntas as paredes de casa, brigávamos para ver quem ia dormir na cama com a minha mãe, dedurávamos a outra, ficávamos de castigo e mesmo assim conversávamos pela janela do quarto de cada uma, nos batíamos, mordíamos, disputávamos quem tinha mais moedinhas no cofrinho. Pé de guerra seguido por tempos de paz. Já mais velhas, continuamos a brigar de vez em quando, compartilhamos segredos, rimos, quando estamos sozinhas em casa damos show para a cidade, viramos a noite no sofá, brigamos por causa da música alta, ouvimos música alta juntas. 

Eu só quero te falar que aquela nossa última briga, foi a mais feia dos últimos tempos. E eu estava com raiva e disse que a parte "amigas" do fato de sermos irmãs tinha sumido, mas foi da boca pra fora. Ultimamente, você não me conta tantos segredos como antes e eu comecei a fazer o mesmo, mas eu sei que é só uma fase. Eu só preciso que você se lembre que você é a pessoa que eu mais amo nesse mundo e eu não posso deixar de ressaltar que eu daria minha vida por você. Desculpa não usar as palavras direito com você, mas quando eu mais preciso delas... Elas somem. E nunca se esqueça: eles não te conhecem como eu. Isso é mais do que eterno, vai além da vida. 

Eu te amo demais,

sua Honey Bee (hahaha)

 Quarta carta de trinta.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Para os seus pais.

Mãe, Pai. Heroína e Herói,

Não somos aquela família perfeita que qualquer pessoa desejaria ter uma igual. Até porque, pai, você mora do outro lado da cidade há quatro anos. Eu tinha apenas 13 anos de idade e começou a surgir o assunto de que iríamos nos mudar, a empolgação extrapolava pelo meu peito até que no dia em que o último móvel entrou pela porta desse apartamento e eu já estava exausta demais, bem, nesse dia eu ouvi uma das notícias que mais me doeu: vocês iriam se separar. Eu não entendia, vocês nem brigavam tanto assim, qual era o problema? Mas eu parei de fazer tantas perguntas porque eu não me importava com as respostas, nada mais importava. Veio, então, uma das piores fases da minha vida... Tudo que eu fazia era chorar porque eu não queria que minha família se desmoronasse daquele jeito... Mas eu era apenas muito nova para entender que vocês estavam se separando e isso não tinha nada a ver comigo. Vocês continuariam sendo meus pais e nada mudaria isso.

Eu sei que na maioria vezes eu não demonstro, mas saibam que aquele abraço que eu dou em vocês é um dos movimentos mais sinceros e cheios de amor que eu faço. Quando é necessário, eu tenho que cuidar de vocês também e saibam que isso não é nenhum sacrifício, não é nem metade de tudo que vocês fazem ou ainda vão fazer por mim. Nós temos nossas diferenças e daí saem as brigas e isso me machuca, mas não demora muito para fazermos as pazes. Vocês sempre me apoiam antes de qualquer pessoa: vocês me apoiaram sem se importar se mais alguém me apoiaria e se vocês não achavam certo, vocês apenas me mostravam que não era aquele o caminho que eu devia seguir.

Eu adoro tudo em vocês e eu adoro o fato de vocês fazerem tudo que está ao alcance de vocês e meu peito se enche de amor quando vocês tentam fazer até o que está fora de alcance e muitas vezes eu penso que eu não mereço tudo isso e mesmo não sendo uma família perfeita, vocês são os melhores pais do mundo. Muitas vezes, eu sinto raiva por alguns motivos, mas nada disso diminui o meu amor que só sabe crescer. Eu peço desculpas por alguns deslizes ou por alguns grandes tombos,  mas tenho que dizer um 'muito obrigada' por estarem ao redor para me segurarem. A dor de vocês sempre será minha também, o sorriso de vocês sempre será meu e vice-versa, eu sei.

Eu daria minha vida por vocês, meus verdadeiros amores,

Sua filha.

Essa é a terceira carta de 30.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Para a sua paixão.

Nego,

Agora mesmo, chegou um momento em que meu pensamento voou completamente e eu fiquei olhando a cidade pela janela e comecei a escrever e não sei como, mas as palavras estão saindo automaticamente. Eu sei que não chegarei a enviar essa carta, mas eu estou escrevendo e imaginando como você estaria reagindo a cada palavra lida - um sorriso, uma careta, uma risada leve, um olhar surpreso: eu te conheço.

Eu só estou te escrevendo porque eu tenho que escrever e também porque começou a tocar uma música famosa que diz "eu levo a sério, mas você disfarça" e nossa, você tem noção de como essa música se encaixa pra nossa situação? Aquela nossa última e única conversa séria a respeito desse assunto, deixou tanta coisa presa no ar, tanta coisa por dizer. Não sei se é porque quem sente tem uma necessidade de falar, mas as palavras sempre somem no momento certo, sabe? Mas eu fico relembrando e tudo que eu consigo pensar é que eu deixei passar milhões de detalhes importantes e você, provavelmente, não me levou a sério. Então, por favor, leve a sério essa carta - sem disfarçar.

A realidade é que ao contrário do que você pensou, eu não te falei que gosto de você por culpa de um ataque de carência. Se fosse carência seria tão mais fácil ter dito isso para aquele menino que eu vejo todos os dias, não acha? Eu disse que gosto de você, primeiramente, para não te assustar porque a verdade é que eu sou apaixonada por você. Eu disse que gosto de você porque eu estava guardando isso há tempos e eu tinha cansado de guardar só para mim. Será que você nunca reparou nas mensagens, no meu sorriso, no meu nervosismo ao telefone, no meu ciúme disfarçado com brincadeiras? Impossível não ter reparado.

E eu quero te falar também que a sua falta de posicionamento, quase me matou aquele dia. Eu não quero que você tenha medo de me machucar dizendo que somos apenas bons amigos. Eu quero a sua sinceridade, eu preciso dela. Eu preciso saber se eu tenho que esvaziar meu coração para manter só nossa amizade.  Mas eu quero te falar que as pequenas coisas que você já fez, alimentaram mais ainda esse amor. Se eu comecei a gostar de você, a culpa é minha, mas se eu continuo gostando de você - cada dia mais e mais -, a culpa é um pouco sua também.

Olha, você tá vendo? Eu escrevi tudo isso, reli e estou achando que não disse nada de importante. E eu só consigo escrever sobre isso e essa sensação de que eu tenho-um-amor-não-resolvido, ou como diriam os gringos: "unfinished business". Vai ser sempre assim? Eu espero que um dia nós possamos conversar e que eu diga o que precisa ser dito e que você diga o que precisa ser dito e que a gente se acerte - grandes amigos ou amores, dispenso a opção em que você teria que sair da minha vida. Não sei como finalizar. Amo você. Não vou te fazer promessas e nem te cobrar nada... É isso.

Com carinho e com (muito) amor,

Neguinha.

Segunda carta de trinta.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Para as melhores amigas.


Oie, queridas melhores amigas. 

Não vou citar seus nomes, isso será desnecessário. E não é preciso repetir para todos que vocês são minhas melhores amigas, vocês sabem e isso que importa. Não falo que vocês são minhas melhores amigas com a intenção de desmerecer os outros amigos, de jeito nenhum e a questão não é a intensidade do sentimento e sim o conjunto de tudo: a compatibilidade,  a confiança extrema e o carinho inexplicável.

Eu cresci ao lado de uma, mas me afastei dela por alguns anos na minha vida e hoje em dia não consigo entender como eu pude perder tanto tempo e ter sido tão burra. Eu conheci uma aos 10 anos e somos nós desde então - quando todos se afastavam e na decisão de quem ia ficar em cada sala: lá estávamos eu e ela. Eu conheci outra aos 12 anos e com ela eu tenho uma tatuagem igual - o marco da eternidade. E a outra eu conheci aos 13 anos, mas só me aproximei aos 14 e tive certeza de que não teria como sem ela aos 15. Vocês quatro, sim, tem o meu amor mais sincero.

Os tempos mudaram e a verdade é que cada uma está em um canto. Apesar de que não éramos todas de um grupo só, era reconfortante entrar naquela sala do colegial e ver cada uma sentada em seu devido lugar. E hoje em dia é tão complicado para ver vocês com frequência - só finais de semana e olha lá. A rotina nos grita, mas nem por isso as coisas mudaram: mensagens no celular, ligações e o mundo virtual está aí pra isso, não é mesmo?

Só que eu sinto tanto a falta de vocês em todas as horas das minhas manhãs, sinto falta de rir tanto de alguma coisa com vocês e de alguma forma, conseguir fazer o professor rir também - ou nos dar uma bronca; sinto falta de compartilhar segredos olhando nos olhos, de dar bronca olhando nos olhos, de receber broncas olhando nos olhos, de abraçar e depois olhar nos olhos. Nossa, é muita falta. Mas eu não estou escrevendo isso para lamentar a ausência física. Eu estou aqui para agradecer a presença em coração e agradecer por essa prova de amizade: mesmo aparentemente longe, nada mudou. E eu quero pedir para que nunca mude. Eu sei que cada uma tem um caminho para seguir, mas isso não significa que vocês não podem caminhar perto de mim - nossos caminhos podem se manter um ao lado do outro se nós quisermos. Eu quero.

Meu amor por vocês é gigantesco e eu estou segurando a mão de vocês a todo momento, tenham certeza disso. Até o fim.

Com carinho,

Paula.

Serão 30 cartas, cada uma para algo/alguém específico. 
Achei isso há muito tempo e só agora fui criar coragem para começar.
Todas as cartas serão postadas aqui.

sábado, 16 de abril de 2011

A decisão indefinida.

Era sexta-feira, meu ânimo para sair era zero e meus pensamentos estavam em máxima velocidade. Falar ou não falar, falar ou não falar, fiquei me perguntando isso a tarde toda. Em meio a pessoas cansadas, suadas e com olhares irritados andando na rua pelo sol do meio dia, eu pensava nisso. E a decisão foi tomada quando eu vi de um lado da calçada um casal andando de mãos dadas e do outro uma menina chorando disfarçadamente. Ficou decidido: vou falar. Era fato que meu destino seria um desses dois lados e por isso eu tinha que tentar.

Montei um diálogo na minha cabeça e o diálogo imaginário tomava duas direções também. Pura invenção, puro delírio - nada seria desse jeito. Eu falava que gostava de você e você dizia que também gostava de mim. Eu falava que gostava de você e você dizia que não era isso que você sentia. Ou um, ou outro, não é? Na verdade, não. 

Oito da noite, nove, dez e nada de você aparecer. Dez e cinquenta e alguns quebrados, você apareceu. Meu coração apertou e eu quis correr para debaixo das minhas cobertas e ficar lá até o dia clarear e o monstro da sua presença ir embora. Mas eu não podia. Eu tinha que ser forte e sussurrava pra mim mesma: dois anos já, pare com tanta bobagem e enfrente os seus problemas. Enchi meu peito com ar e segurei firme a mão da minha mais recente amiga: a coragem.

Tentei seguir o script, mas eu estava nervosa, não conseguia digitar as palavras e ficava imaginando seu olhar surpreso. "Eu gosto bastante, bastante mesmo de você". Eu disse no final do meu discurso - era um discurso sem promessas, sem cobranças e sem uma exposição intensa de sentimentos porque eu não queria te assustar. Você não entendeu bem e achou que eu estava me referindo à nossa amizade... Coitado, até nessa hora você me fez rir. E eu repeti e acrescentei que não era só-como-amigo. E você se surpreendeu. Começou então a bagunça das palavras, as contradições: "eu gosto muito de você; eu achei que não tinha nada; não sei o que dizer; você me pegou de surpresa; por você ter falado você ficou ainda mais importante pra mim." e etc. E veio também a raiva imensa que você me fez sentir, você ousou perguntar se eu estava carente e eu quis atravessar a tela desse computador só para te encher de tapas. Eu não teria falado isso para você se não fosse verdadeiro, seu idiota, eu poderia falar para qualquer menino que mora aqui perto de mim, se liga, alô! Eu disse essas palavras de maneira mais educada e você me soltou um: "eu sei que o nosso gostar é verdadeiro". Ah! O nosso gostar? E do nada você me mandou coraçõezinhos e você falou isso e aquilo e eu chorando oceanos do lado de cá. 

Eu chorei porque o roteiro foi rasgado e enquanto os pedacinhos de papéis voavam pra sei-lá-onde, você mudou o rumo da história para rumo nenhum. Eu  queria que você se posicionasse do lado bom - de preferência - ou do lado ruim da situação.  Mas foi impossível te entender. A minha parte eu fiz, eu abri meu coração pra você e... Chega! Já foi um custo tremendo fazer essa parte, agora se em algum momento você quiser conversar abertamente sobre isso, nós conversamos. 

Eu não estou do lado da menina que estava chorando e nem estou com você do outro lado junto com aquele casal. Eu estou sozinha no meio da rua. Com o coração na mão, as lágrimas caindo e uma esperança de que você me empurre pra um dos lados da calçada antes que o semáforo se abra.